Milhares foram às ruas em várias cidades na véspera do segundo turno para defender a democracia e exigir mais recursos à educação pública. A mobilização evidencia problemas de financiamento e assistência estudantil.
Rio de Janeiro — Milhares de estudantes retomaram as ruas em diversas cidades às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, em atos que reivindicam a defesa da democracia e da educação pública e que também se posicionam em relação a candidaturas e programas. Para leitores que são estudantes, familiares ou vinculados a universidades públicas, a mobilização indica maior presença do movimento estudantil no debate eleitoral e maior visibilidade aos problemas de financiamento e assistência estudantil.
Detalhes e contexto das manifestações
Os atos têm ocorrido em diferentes capitais e municípios. No Rio de Janeiro, por exemplo, houve uma manifestação no dia 7/10/2026, com percurso da Candelária à Cinelândia. A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, destacou o protagonismo de universitários e secundaristas e relacionou as mobilizações atuais com marcos históricos do movimento estudantil brasileiro, como a luta contra a ditadura militar, as Diretas, o Fora Collor e as mobilizações contra governos recentes.
Entre as preocupações levantadas pela entidade estão o risco ao futuro das instituições democráticas, a possibilidade de ascensão de um governo que a UNE considera contrário à educação e os desafios concretos das universidades públicas: subfinanciamento, necessidade de ampliação da assistência estudantil e garantia de condições para a permanência de alunos de baixa renda nos cursos.
Na última sexta-feira, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou pedido da campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) para barrar publicações nas redes sociais de 54 dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, entre elas a UNE.
O que dizem as lideranças estudantis
“Neste momento, nós vemos não só uma eleição em jogo, mas verdadeiramente o futuro do nosso país em risco”,
“Os estudantes se levantam pelos direitos, pela educação, pela soberania e pela democracia brasileira diante dessa ameaça. Isso é da própria vocação dos estudantes brasileiros, desde a fundação da UNE tem sido assim”,
Em relatos à direção da entidade, as mobilizações também foram comparadas à Passeata dos 100 mil de 1968, com referência a atos realizados em 7 de outubro de 2026 no centro do Rio de Janeiro que, segundo participantes de diferentes gerações, reuniram público expressivo e trouxe à tona símbolos históricos do movimento estudantil, como Edson Luís.
Perfil da presidência da UNE
A atual presidência da UNE, para o mandato 2025–2027, é ocupada por Bianca Borges, estudante de letras do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), paulista de 25 anos, nascida em Itapevi e criada em Praia Grande. O currículo público aponta que ela também é formada em direito pela Universidade de São Paulo (USP), onde ingressou em 2017, e que atuou como coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP, diretora-geral do Centro Acadêmico XI de Agosto e presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP).
Interessa às comunidades acadêmicas, jovens eleitores, famílias e servidores universitários acompanhar a agenda de mobilizações e os debates sobre financiamento e assistência estudantil, que se mantêm centrais para a continuidade dos cursos e para a permanência de alunos de baixa renda nas instituições públicas. A UNE afirma que pretende manter a organização estudantil para além do período eleitoral, transformando reivindicações em direitos e ampliando a participação coletiva.
O próximo passo apontado pela entidade é a continuidade das mobilizações e a articulação política e social em torno da valorização da universidade pública e da ampliação das políticas de assistência, além da participação ativa no segundo turno eleitoral.
