A captação formal de leite cru em Sergipe aumentou 8,4% no primeiro semestre de 2026, chegando a 309 milhões de litros. O estado ficou atrás apenas do Piauí no crescimento regional, conforme dados do IBGE analisados pelo ETENE, do Banco do Nordeste.
Os percentuais e volumes se referem à captação formal de leite cru por estabelecimentos pesquisados, indicador da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE; não correspondem a uma estimativa de toda a produção estadual. No levantamento, Sergipe também respondeu por aproximadamente 24,5% do volume captado no Nordeste, participação próxima à da Bahia.
Como o crédito chega ao campo
O Banco do Nordeste aponta o Agroamigo e o Programa de Desenvolvimento Territorial (Prodeter) entre as iniciativas de apoio à bovinocultura leiteira em Sergipe. Segundo as informações do programa, o Prodeter atende 12 municípios e mais de 250 agentes econômicos; cerca de 70% deles têm financiamento pelo Agroamigo. Também foram ofertados 400 cursos de capacitação a produtores.
O microcrédito rural pode financiar itens ligados à atividade produtiva e é acompanhado por agentes de crédito. O BNB informa que o Agroamigo atende agricultores familiares enquadrados no Pronaf; as condições dependem de análise e da linha de crédito. Veja as informações oficiais do Agroamigo.
Investimentos de produtores em Poço Redondo
No povoado Sítio Óleo, em Poço Redondo, o produtor Júnior Barbosa trabalha com bovinocultura de leite e participa do Agroamigo há 19 anos. Com os financiamentos, adquiriu matrizes, custeou o plantio de palma e comprou uma cerca para a propriedade. Sua produção chega a 220 litros por dia.
“Eu, minha esposa e meu filho temos hoje 11 cabeças de gado. Conseguimos comprar as vaquinhas graças ao recurso do Agroamigo. Antes, eu vivia como diarista nas propriedades dos outros. Mas agora trabalho na minha propriedade, o que é bem melhor”, afirma Júnior.
Também no povoado, Clesiano Lima tem 16 cabeças de gado, oito delas em lactação. Cliente do Agroamigo desde 2021, ele usou o microcrédito para melhorar o curral, comprar vacas e custear a palma forrageira.
“Já comprei quatro vacas por meio do Agroamigo, que me ajudaram a melhorar a produção. Esse financiamento me ajuda muito, porque o trabalho com o leite é a única renda que tenho hoje. Então recomendo a todos os produtores que conheço”, conta Clesiano.
Orientação e acesso ao programa
O gerente estadual do Agroamigo, Luiz Morato, afirma que o microcrédito pode apoiar a renda rural ao financiar itens necessários à atividade, como matrizes bovinas e ordenhadeiras mecânicas.
O superintendente estadual do BNB, César Santana, orienta os produtores a procurar uma das agências do banco ou unidades do Agroamigo em Sergipe para conhecer as condições, a documentação e a análise de crédito aplicáveis a cada projeto.
Fonte: Caderno Setorial ETENE/BNB, com dados da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE; informações e depoimentos fornecidos pelo Banco do Nordeste. Fotos: acervo pessoal.



