Pacientes no Recanto das Emas relatam que a doença vai além da pele, afetando sono, saúde mental e autoestima. A coceira intensa pode provocar feridas em crises; 23/09 é o Dia Nacional de Conscientização (Lei 14.916/24).
Em Brasília, no Recanto das Emas, pacientes descrevem como a dermatite atópica atinge além da pele: prejudica o sono, a saúde mental e a autoestima. A doença inflamatória e crônica tem como sintoma principal a coceira, que em crises severas provoca feridas e dor ao menor contato, e o dia 23 de setembro é considerado o Dia Nacional de Conscientização da Dermatite Atópica, oficializado pela Lei 14.916/24.
O impacto prático para quem convive com a condição inclui dificuldade para dormir, menor rendimento escolar ou no trabalho, isolamento social e necessidades frequentes de tratamento médico. Pacientes relatam episódios em que tarefas rotineiras se tornam dolorosas, como deitar, encostar no travesseiro ou tomar banho.
Quadro clínico, gatilhos e locais mais afetados
Especialistas e pacientes descrevem padrões comuns na apresentação da doença e fatores que desencadeiam crises. A dermatite atópica costuma surgir em pregas do corpo e em áreas de fricção.
- Regiões frequentemente afetadas: atrás dos joelhos, cotovelos, pescoço, ao redor dos olhos, face e mãos.
- Gatilhos citados: alimentos, sol, grama, suor, fungos e ácaros.
Em relatos pessoais, a gravidade varia desde lesões localizadas até eruções generalizadas. A estudante de medicina Clara, 23 anos, recorda episódios em que a pele ficou “em carne viva” e ela precisou usar antibiótico para evitar infecções nas lesões. Em sua experiência, o estresse também atuou como gatilho e levou a quadros de isolamento social na infância e adolescência.
“Tive muitas crises de choro por não saber o que fazer”
Clara também descreveu sensibilidade a objetos domésticos e animais: “Qualquer objeto de pelúcia, tapete, cachorro e gato. Eu sentia como se tivesse alergia ao mundo”. Atualmente, ela faz tratamento com imunobiológico, que atua no sistema imune para controlar reações exacerbadas, e relata melhora significativa. O custo desse tipo de medicamento foi mencionado: uma caixa passa de R$ 10 mil, valor que, no caso relatado, é coberto pelo plano de saúde da paciente.
Consequências sociais e demandas por tratamento
A dermatologista Rosana Lazzarini aponta que a coceira intensa prejudica o sono e, consequentemente, o desempenho escolar e profissional. Segundo a especialista, 40% das crianças com dermatite atópica terão sintomas também na vida adulta, aumentando a necessidade de acompanhamento contínuo.
“O impacto na vida da criança é grande. É uma doença crônica, há frequência de consultas, perda de aulas, afastamento social (deixa de brincar, de ir a festas) e internações que irão afetar o desenvolvimento psicossocial”
O presidente da Associação de Apoio à Dermatite Atópica (AADA), Roberto Takaoka, relaciona a condição a estigma social e dificuldades de acesso a informações e tratamentos. Ele destaca demandas recorrentes das famílias por indicações médicas e terapias e reforça a importância de campanhas de conscientização.
“Os pacientes costumam enfrentar problemas de preconceito e bullying por desconhecimento do público em geral, principalmente por acharem que se trata de uma doença contagiosa. Nesse contexto, campanhas de conscientização podem ajudar”
A AADA desenvolve grupos de apoio, materiais educativos, campanhas e podcasts explicativos voltados a pacientes, familiares e profissionais de saúde. Esses recursos visam orientar sobre a natureza crônica e multifatorial da doença, seu manejo clínico e os impactos emocionais e sociais associados.
Para quem interessa e próximos passos
A matéria interessa a pacientes com dermatite atópica, familiares, educadores e profissionais de saúde que acompanham crianças e adultos com a condição. Não foram fornecidos contatos ou endereços específicos para serviços; a associação mencionada realiza ações de informação e apoio dirigidas ao público e a classe médica. Como próximo passo, a agenda de conscientização e as ações educativas relacionadas ao Dia Nacional de Conscientização da Dermatite Atópica tendem a se repetir e a ampliar a divulgação sobre diagnóstico, tratamentos e enfrentamento do estigma.
O acompanhamento médico contínuo, a identificação de gatilhos pessoais e o acesso a tratamentos — quando disponíveis e indicados — permanecem essenciais para reduzir crises, proteger o sono e a saúde mental e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
