A experiência de Aracaju com os Grupos Reflexivos “Quebrando Ciclos”, iniciativa da Prefeitura de Aracaju por meio da Secretaria Municipal do Respeito às Políticas para as Mulheres (SerMulher Aracaju), integrou a formação de profissionais da segurança pública realizada na última quarta-feira (21), na Federação dos Municípios do Estado de Sergipe (Fames). A atividade, promovida em parceria com o Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), reuniu integrantes da Guarda Municipal e da Patrulha Maria da Penha de Monte Alegre de Sergipe e de Canindé de São Francisco.
Durante a programação, a SerMulher compartilhou a experiência dos grupos reflexivos e apresentou os serviços da rede municipal de proteção às mulheres, contribuindo para a preparação dos profissionais que vão atuar no sertão sergipano e para a articulação entre as instituições.
A coordenadora de Enfrentamento à Violência contra a Mulher da SerMulher, Laís Mylena Rezende, explica que a reflexão acontece aos poucos, à medida que os participantes se abrem para reconhecer e expressar as emoções. “A partir do quarto encontro, quando abordamos as emoções e a regulação emocional, percebemos que a resistência diminui. É quando começamos a ver esse ser humano desabrochar. Ele passa a sair de dentro da caixa e a falar nos encontros, demonstrar sentimentos, chorar, falar sobre o que sente e sobre a família. A partir desse tema, conseguimos perceber algo realmente se transformando”, relata.
O que são os grupos reflexivos
Os Grupos Reflexivos Quebrando Ciclos atuam diretamente com homens autores de violência, promovendo a reflexão sobre comportamentos, relações de gênero, responsabilização pelas próprias atitudes e formas não violentas de resolver conflitos. O objetivo é estimular mudanças de comportamento e prevenir a reincidência, complementando as ações de acolhimento, proteção e assistência às mulheres.
Transformada em política pública municipal em outubro, a iniciativa completa um ano de atuação em 4 de novembro.
Patrulha Maria da Penha no sertão
A participação da SerMulher integra a formação promovida pela Coordenadoria da Mulher do TJSE, que prepara os profissionais para compreender as questões de violência doméstica e de gênero e o funcionamento da rede de proteção. Representante do Tribunal, Sabrina Eduardo Cardoso destaca que esta é a oitava edição da capacitação destinada às Patrulhas Maria da Penha.
“É importante trazer os CRAMs e os grupos reflexivos para que eles entendam o que são esses serviços e conheçam a rede. A Patrulha Maria da Penha precisa trabalhar muito próxima dessa rede, com uma atuação consistente e articulada. Como esse trabalho vai começar em Monte Alegre e Canindé, é fundamental que os profissionais conheçam os serviços disponíveis e busquem iniciativas semelhantes que possam fortalecer o atendimento nesses municípios”, explica.
O que dizem os participantes
Para João Vitor Oliveira Santos, participante da capacitação, os relatos dos homens que integram os grupos chamaram a atenção. “O que achei fantástico foram os relatos e a experiência que cada homem compartilhou. Esse grupo reflexivo trabalha exatamente na ressocialização, levando homens que agrediram suas companheiras a refletirem sobre seus atos, para que não voltem a praticá-los”, afirma.
Thailaine Pessoa Nobre, também participante, destaca a importância de um atendimento humanizado. “Como agentes de segurança pública, precisamos ter essa visão mais sensível para atender às ocorrências e nos deparar com uma mulher em situação de violência. Sabemos que, naquele momento, ela precisa ser acolhida, ouvida e encontrar um ambiente de proteção e segurança. Esse seminário está nos auxiliando a fortalecer a nossa capacitação profissional”, diz.
A participação na formação reforça o compromisso da Prefeitura de Aracaju com as políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres, unindo atendimento especializado, prevenção e transformação social.
Com informações da SerMulher/Prefeitura de Aracaju
