O plano de 76 páginas propõe digitalizar serviços, reduzir despesas e retomar desestatizações. Também prevê endurecer políticas de segurança e rever impostos, educação, meio ambiente e programas sociais.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro apresentou, em 18/09/2026, um plano de governo com medidas para reduzir gastos públicos, digitalizar serviços, retomar desestatizações e endurecer ações de segurança. Para o eleitor, as propostas implicam mudanças em políticas de segurança pública, impostos, regulação ambiental, educação e programas de habitação, com efeitos potenciais sobre acesso a serviços e direitos.
O documento, intitulado Para o Brasil Vencer o Atraso, tem 76 páginas divididas em nove eixos. No eixo final, chamado Brasil que Não Volta Atrás, o candidato anunciou intenção de promover um corte amplo de despesas, com reforma administrativa que incluiria a redução de dez ministérios, cortes em cargos comissionados e despesas, além de revisão do pacto federativo com estados e municípios.
“Para o Brasil Vencer o Atraso”
O plano detalhou propostas em várias áreas, mesclando medidas que o candidato afirma que adotará no governo e orientações legislativas que buscará implementar. Entre os números e metas apresentados estão a meta de erguer 2,5 milhões de moradias por meio da retomada do Programa Casa Verde e Amarela, que seriam vendidas com, nas palavras do texto, “a menor taxa de juros possível”.
Segurança
O eixo de segurança prevê declarações formais para qualificar facções criminosas e milícias como organizações narcoterroristas e propõe ações para reduzir a entrada de drogas no país. O plano afirma a criação de uma “tropa de elite” das Forças Armadas para patrulhar fronteiras e propõe a redução da idade penal de 18 para 14 anos para crimes descritos como hediondos pelo Código Penal.
- Idade penal: redução de 18 para 14 anos para crimes como estupro, tráfico, tortura e assassinato.
- Forças Armadas: criação de uma “tropa de elite” para patrulhamento de fronteiras.
“tesouraço”
Economia
No campo econômico, o plano propõe cortes de gastos públicos como medida central para forçar a queda de juros, redução de impostos sobre energia elétrica e combustíveis e revisão da reforma tributária para estimular o consumo das famílias. Há propostas para criar corredores logísticos para reduzir custos de transporte, aumentar capacidade de armazenagem de safras e apoiar produção nacional de fertilizantes.
Saúde e serviços digitais
O texto defende a digitalização de serviços públicos, começando pelos prontuários de saúde, com proposta de compartilhamento desses documentos, inclusive com hospitais privados. O plano também prevê atendimento em saúde por telefone ou aplicativo para regiões com falta de médicos ou filas longas por especialistas e afirma a intenção de “manter a imunização”.
“manter a imunização”
Educação
Na área educacional, o documento propõe alteração do método de alfabetização para o método fônico, a criação de um voucher para creches privadas, a remuneração de alunos para darem aulas de reforço, ampliação de cursos técnicos e mais escolas cívico-militares. O plano também prevê transferir a educação superior do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Meio ambiente
Embora o texto afirme não reconhecer uma crise climática com aumento de eventos extremos, elenca medidas para flexibilizar o licenciamento ambiental, ampliar exploração de petróleo e gás, liberar o fracking e permitir autolicenciamento em casos de decurso de prazo para emissão de licenças. O plano propõe reduzir sobreposições entre órgãos como Funai e Ibama e acelerar projetos de mineração com ampliação do capital estrangeiro.
Saneamento e habitação
Para saneamento, o candidato prevê acelerar concessões e parcerias privadas com metas como levar água às escolas e encerrar lixões a céu aberto. Em habitação, a retomada do Programa Casa Verde e Amarela tem a meta explícita de 2,5 milhões de moradias.
O documento apresenta medidas e metas que afetarão diferentes grupos: moradores de áreas com problemas de segurança, famílias buscando moradia, usuários de serviços públicos de saúde e educação, setor produtivo do agronegócio e empresas de infraestrutura. O texto não detalha procedimentos operacionais ou cronogramas precisos para implementação de cada ação além das metas e diretrizes gerais.
O próximo passo apontado pelo plano é transformar essas diretrizes em propostas de governo e políticas públicas a serem implementadas caso seja eleito, cabendo acompanhamento por parte de eleitores, legisladores e órgãos responsáveis pela análise e votação de eventuais projetos de lei decorrentes dessas propostas.
