A moeda americana subiu 0,83%, alcançando o maior fechamento desde março e elevando custos de itens importados e viagens internacionais. O Ibovespa caiu pelo quarto pregão seguido, aumentando a cautela de investidores.
O dólar encerrou esta segunda-feira (28) vendido a R$ 5,226, avançando 0,83% e atingindo o maior fechamento desde 30 de março, enquanto o Ibovespa recuou pelo quarto pregão consecutivo. Para o leitor, a valorização da moeda pode pressionar preços de bens importados, custos de viagens ao exterior e influenciar decisões de investidores que operam com ativos em dólar.
Detalhes dos movimentos e números principais
A moeda estadunidense subiu desde o início dos negócios e chegou a superar R$ 5,22 ainda durante a manhã. O movimento acompanhou o fortalecimento do dólar frente a outras divisas de países emergentes: o índice que mede o desempenho da moeda estadunidense contra uma cesta de seis divisas subia 0,05%, às 17h04.
No exterior, a elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos contribuiu para um ambiente menos favorável a ativos de maior risco. O rendimento do Treasury de dez anos terminou o dia em 5,2319%, ante 5,181% na sexta-feira (25). Taxas mais altas em economias avançadas estimulam fuga de capitais de países emergentes, como o Brasil.
- Dólar à vista: R$ 5,226 (+0,83%)
- Ibovespa: 182.991,13 pontos (-0,26%)
- Petróleo tipo Brent: US$ 97,83 (+0,40%)
- Petróleo tipo WTI: US$ 92,60 (+0,21%)
O Banco Central informou que o Brasil registrou déficit de US$ 5,055 bilhões em transações correntes em agosto. O investimento direto no país somou US$ 7,396 bilhões no mês. No boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada toda segunda-feira pelo Banco Central, a projeção mediana para o dólar no fim deste ano permaneceu em R$ 5,20.
As estimativas para a inflação também foram revistas: a projeção para 2026 subiu de 4,92% para 4,99% e a previsão para 2027 passou de 4,30% para 4,31%.
Desempenho da Bolsa e do petróleo
O Ibovespa terminou o pregão em queda de 0,26%, aos 182.991,13 pontos, após oscilar entre a mínima de 181.931,36 e a máxima de 184.094,65. Apesar da sequência negativa, o índice manteve alta de 3,14% em setembro e de 13,57% no ano.
O ambiente externo pressionou as ações brasileiras, com queda das bolsas em Nova York — o S&P 500 fechou em baixa de 0,77% — e alta dos juros dos Treasuries. No mercado doméstico, a alta do petróleo ajudou a sustentar papéis do setor, enquanto o índice Small Caps, que não inclui a Petrobras em sua composição, caiu 1,2% no dia.
O petróleo fechou em alta, mas reduziu ganhos ao longo do dia em meio a incertezas sobre negociações entre Estados Unidos e Irã e dificuldades para normalizar o tráfego pelo Estreito de Ormuz. O barril Brent para dezembro subiu 0,40%, para US$ 97,83, e o WTI avançou 0,21%, para US$ 92,60. A Arábia Saudita retomou bombeamento no oleoduto Leste-Oeste com fluxo estimado em cerca de 3,5 milhões de barris por dia, e os carregamentos de exportação foram retomados no porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Quem é afetado e como acompanhar
Movimentos como o registrado nesta segunda interessam a empresas importadoras, turistas, investidores em renda variável e renda fixa, além de agentes do mercado cambial. Para acompanhar variações e projeções, é recomendado consultar relatórios e boletins de sua instituição financeira, as divulgações regulares do Banco Central e as cotações oficiais das bolsas e mercados de câmbio.
Próximo passo
Os mercados deverão seguir atentos às negociações internacionais envolvendo Estados Unidos e Irã, à evolução dos rendimentos dos títulos americanos e às próximas divulgações do Banco Central e do boletim Focus, que são divulgados semanalmente. Essas variáveis tendem a influenciar os próximos pregões e estimativas para dólar, inflação e câmbio.
