Em São Paulo, Luiza Erundina (Psol), aos 91 anos, tornou-se a deputada estadual mais velha eleita no pleito de 2026 e ocupará uma das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A eleição dela muda a composição da bancada estadual, trazendo para 2027 uma parlamentar com longa trajetória pública e pautas definidas sobre transporte, direitos das mulheres e participação popular.
Erundina ficou na 13ª posição na disputa por cadeiras da Alesp, com 169.567 votos, e iniciará mandato em 2027. No estado de São Paulo, ela superou o deputado Eduardo Suplicy (PT), de 85 anos, que até então era o parlamentar mais velho da Alesp.
Nascida no dia 30 de novembro de 1934, em Uiraúna (Paraíba), Erundina é formada em Serviço Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e tem mestrado em ciências sociológicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP). Em 1989, ainda filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi a primeira mulher representante da esquerda a assumir o cargo de prefeita da cidade de São Paulo, cargo que exerceu até 1992.
Trajetória e principais iniciativas legislativas
- Mandatos: Foi deputada federal por sete mandatos.
- Fundo Nacional de Habitação Popular: integrou frentes parlamentares na Câmara dos Deputados que contribuíram para a aprovação de fundos como esse.
- Direitos das mulheres: participou da elaboração de propostas voltadas à garantia dos direitos das mulheres, incluindo projeto de combate à discriminação contra gestantes em processos seletivos para bolsas acadêmicas.
- Lei das Brinquedotecas (Lei nº 11.104/2005): aprovou a lei considerada de impacto social por instituir brinquedotecas em unidades de saúde com atendimento pediátrico em regime de internação hospitalar.
- Lei nº 11.634/2007: garantiu às gestantes atendidas pelo SUS o direito ao conhecimento prévio e à vinculação à maternidade onde receberão assistência ao parto.
- Dia Nacional do Forró (Lei nº 11.176/2005): instituiu a data comemorada em 13 de dezembro.
- Patrono da Arquitetura Brasileira (Lei nº 11.117/2005): declarou o arquiteto Oscar Niemeyer patrono da arquitetura brasileira.
Reações e avaliação
Para a cientista política e coordenadora executiva da organização CEPIA, Jacqueline Pitanguy, a eleição de Erundina merece ser comemorada e respeitada. Jacqueline concedeu entrevista à jornalista Mara Régia, da Rádio Nacional.
“Primeiro porque ajuda a quebrar a ideia do etarismo, de que as pessoas envelhecem e desaparecem. O envelhecimento pode marcar uma presença com maior sabedoria, experiência e tolerância.”
“[Reforça] sobretudo esta ideia de que no Brasil existe trânsito, mobilidade social: ela que saiu do interior do nordeste e chegou a prefeita da maior cidade do Brasil e agora vai contribuir muito com a Assembleia Legislativa de São Paulo.”
Pautas que Erundina defenderá na Alesp
- Transporte e tarifa zero: mobilidade como direito, passe livre e transporte público de qualidade.
- Direito das mulheres, crianças e adolescentes: enfrentamento à violência e políticas de proteção.
- Democratização da comunicação: informação como bem público e pluralidade na mídia.
- Participação popular e controle social: transparência e participação direta nas decisões.
- Memória, verdade, justiça e direitos humanos: defesa da democracia e de políticas de reparação.
- Justiça social e políticas públicas universais: saúde, educação e assistência com cobertura ampla.
Quem mora em São Paulo e acompanha política estadual terá na atuação de Erundina uma referência sobre as pautas listadas acima. Acompanhar os projetos que ela proporá e as comissões em que atuará será o próximo passo para avaliar o impacto concreto de sua atuação na Alesp.
