Força-tarefa federal chega ao Amazonas com mais aeronaves e brigadistas após 1.380 focos de fogo entre 1º e 10 de outubro, alta de 271% ante 2025. A operação deve reforçar a capacidade nos próximos dias.
Manaus — O governo federal mobilizou uma força‑tarefa para reforçar o combate aos incêndios florestais no Amazonas; a ação prevê o envio de aeronaves e o aumento do efetivo de brigadistas, o que altera a capacidade operacional no estado nas próximas semanas. A mobilização ocorre após a identificação de 1.380 focos de incêndio entre 1º e 10 de outubro de 2026, aumento de 271% em relação ao mesmo período de 2025.
Reforço aéreo e prazo de operação
A operação prevê o envio de dois aviões KC‑390 da Força Aérea Brasileira (FAB), que se juntarão às aeronaves que já atuam no Amazonas. Os KC‑390 estão em deslocamento, com previsão de chegada a Manaus HOJE (11) e início das operações na segunda‑feira (12). A mobilização inclui também outras aeronaves e helicópteros que ampliarão as ações de combate.
- 2 aviões KC‑390 (FAB)
- 4 aeronaves Air Tractor
- 2 helicópteros
Além das aeronaves, o governo federal informou que 290 brigadistas federais já atuam no Amazonas. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, chegou ao estado no sábado (10) para acompanhar a mobilização da força‑tarefa.
“Não vai faltar nada: equipamentos, veículos, homens, recursos, tudo o que for preciso será disponibilizado”, afirmou o ministro no sábado.
Reconhecimento de emergência e mobilização entre estados
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu, em caráter sumário, a situação de emergência decretada pelo governador do Amazonas, Roberto Cidade, em 36 municípios. O reconhecimento é etapa necessária para viabilizar a liberação de recursos federais destinados ao enfrentamento da crise.
O governo de São Paulo enviará reforço humano e material: 30 profissionais (25 bombeiros militares e cinco integrantes da Defesa Civil paulista) foram mobilizados para atuar no Amazonas. O embarque estava previsto para às 13h HOJE (11). Os agentes levarão equipamentos e insumos para auxiliar no combate às chamas e nas ações de proteção da população, do patrimônio e do meio ambiente.
Recursos para estrutura dos bombeiros e histórico de repasses
Desde 2024, o governo federal disponibilizou R$ 45 milhões ao Amazonas, por meio do projeto ProAmazon, para reforçar a estrutura do Corpo de Bombeiros Militar no combate aos incêndios florestais. Do total:
- R$ 34,7 milhões já foram liberados ao estado;
- Cerca de R$ 10 milhões permanecem disponíveis para utilização.
Segundo registros do ministério, o Amazonas recebeu R$ 372.065.406,32 nos últimos três anos para ações de socorro, assistência humanitária, reconstrução e restabelecimento de serviços essenciais após desastres.
Distribuição e causas dos focos
Dados do Painel do Fogo, do Censipam, apontam que os 1.380 focos registrados entre 1º e 10 de outubro de 2026 se distribuem por situação fundiária da seguinte forma:
- 1.186 focos em áreas públicas;
- 93 focos em propriedades privadas;
- 101 focos em áreas sem situação fundiária definida.
O levantamento identificou categorias específicas com os seguintes registros (não somar aos totais por situação fundiária):
- 246 focos em assentamentos federais;
- 116 focos em terras indígenas;
- 97 focos em unidades de conservação.
Do total de registros, 174 foram classificados pelo painel como relacionados ao desmatamento; para os demais focos não havia causa identificada nos dados consultados.
O governador Roberto Cidade afirmou que a fumaça que encobre parte do Amazonas não é provocada apenas pelos incêndios registrados no estado, apontando também queimadas em outras unidades da Federação como fatores contribuintes. A declaração foi dada após reunião emergencial realizada na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que reuniu representantes dos governos federal e estadual para coordenar as medidas de enfrentamento.
Para HOJE (11), está previsto um sobrevoo do ministro Waldez Góes sobre áreas atingidas pelos incêndios, seguido de entrevista coletiva sobre as ações em andamento — esse será o próximo passo oficial para detalhar medidas e eventuais liberações adicionais de recursos.
