A Semana do Dia Mundial Sem Carro (22/9) em Brasília organiza ações para reduzir o uso de carros e estimular transporte coletivo, bicicleta e caminhada. A ONG Rodas da Paz promove doações de equipamentos a entregadores.
Em Brasília, a Semana do Dia Mundial Sem Carro, que tem como marco o Dia Mundial Sem Carro celebrado em 22 de setembro, reúne ações voltadas para reduzir o uso de veículos motorizados e ampliar a mobilidade ativa, com foco em segurança para pedalar e caminhar. Para o leitor, as mudanças prometidas incluem mais estímulos ao transporte coletivo, ao uso da bicicleta e medidas práticas como doação de equipamentos de segurança para entregadores por aplicativo.
Atividades e calendário em Brasília
Ao longo desta semana, a organização não governamental Rodas da Paz tem realizado atividades com o tema “Cidades Mais Humanas começam com escolhas diferentes”, convidando a sociedade a experimentar, discutir e defender alternativas de deslocamento, maior segurança e mais espaço para as pessoas nas vias.
Programação
- 21/09: realização da edição 2026 do Desafio Intermodal de Brasília, teste prático de mobilidade urbana.
- 22/09: Bicicletada que partiu da Universidade de Brasília (UnB) e percorreu cerca de 15 quilômetros nas vias da Asa Norte.
- 24/09 (quinta-feira): previsão de doação de itens de segurança para entregadores por aplicativo.
- 27/09 (domingo): lançamento da Carta-Compromisso da Mobilidade Sustentável no Eixão do Lazer Sul, documento que será entregue aos candidatos nas eleições de 2026.
Doação de itens de segurança
Nesta quinta-feira (24), a ONG planeja doar equipamentos a entregadores que usam bicicleta. Serão disponibilizados, conforme necessidade individual, itens como:
- espelhos retrovisores
- campainhas
- luzes
- fitas refletivas
- kits de remendo de pneus
Argumentos e propostas
O coordenador-geral da Rodas da Paz, Raphael Barros Dorneles, explica que a promoção do uso da bicicleta exige uma estratégia dupla: por um lado, investimento em infraestrutura cicloviária; por outro, medidas que desestimulem o uso do carro e priorizem o transporte público e os ciclistas no trânsito. Em suas palavras:
“Não basta somente estimular o uso da bicicleta. Tem que desestimular o uso do carro, se não as pessoas não migram. Só o fato de ser dada prioridade à fluidez do trânsito para o transporte público e para a bicicleta já desestimula o uso do carro”.
Entrega e relatos de trabalhadores
Entregadores por aplicativo relataram dificuldades práticas. Ítalo Santos Vieira, 25 anos, que trabalha há seis meses como entregador por sete a oito horas diárias, diz que, por falta de recursos, atua sem itens essenciais de segurança mesmo após já ter sofrido quedas durante o serviço. Ele afirma:
“Eu tenho que pagar, senão, não tenho. Ainda estou sem espelho e cotoveleira”.
Ivan Gabriel, 31 anos, que atua há cinco meses e combina metrô e bicicleta em deslocamentos diários ao centro de Brasília para trabalhar em média seis horas por dia, relata que comprou capacete, cadeado e caixa térmica por conta própria e enfrenta dificuldade para guardar o veículo com segurança ao buscar pedidos nos estabelecimentos:
“Há muitos roubos nesta área. A gente sempre tem que estar atento”.
Desafio Intermodal e critérios de avaliação
O Desafio Intermodal de Brasília comparou a eficiência de diferentes meios de transporte que partiram de um mesmo local rumo a um mesmo destino. Foram considerados fatores como o tempo real de percurso, o impacto ambiental, a emissão de poluentes por passageiro, a emissão de ruídos e o custo financeiro da viagem, incluindo custo social e investimento de recursos públicos na mobilidade urbana.
Próximos passos
A Semana do Dia Mundial Sem Carro em Brasília seguirá com o lançamento da Carta-Compromisso da Mobilidade Sustentável no domingo (27), documento que será entregue aos candidatos nas eleições de 2026 para que assumam compromissos práticos por um trânsito mais seguro, inclusivo e ecologicamente responsável. A Rodas da Paz também defende a criação de um conselho deliberativo de mobilidade urbana sustentável e transporte, com participação popular e controle social, como parte da governança das políticas de mobilidade.
