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Saúde

Detecte cedo baixa visão infantil, alerta oftalmologista em Salvador

Thalita Soledade
Última atualização: 11/09/2026 10:30
Thalita Soledade
Publicado em: 11/09/2026
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Detecte cedo baixa visão infantil, alerta oftalmologista em Salvador

No CBO 2026, Drª Maria de Fátima Neri alertou que diagnóstico e encaminhamento precoces podem mudar o desenvolvimento motor, cognitivo e social infantil. Baixa visão compromete percepção e participação, não só acuidade.

Em Salvador, a oftalmologista Maria de Fátima Neri fez um alerta sobre a baixa visão na infância durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), que termina neste sábado (12). O ponto central é que o reconhecimento e o encaminhamento precoces podem influenciar o desenvolvimento motor, cognitivo, de comunicação e social da criança, alterando trajetórias de aprendizado e autonomia.

A especialista explicou que a baixa visão infantil não se resume à mera redução da acuidade visual: envolve compromissos na percepção visual, na exploração do ambiente e na participação da criança nas atividades diárias. Segundo ela, quanto mais cedo houver intervenção, maior a possibilidade de aproveitar o resíduo visual para desenvolver estratégias funcionais.

“A baixa visão pode comprometer a percepção visual, a exploração do ambiente, o desenvolvimento motor, a aprendizagem, a comunicação, a autonomia e a participação dessa criança no mundo”, disse Maria de Fátima Neri.

Entre as causas apontadas pela oftalmologista estão retinopatias associadas a infecções congênitas, catarata e glaucoma congênitos, anomalias do nervo óptico e condições hereditárias. A lista detalhada de fatores de risco segue abaixo, para orientar pais, cuidadores e profissionais sobre situações que justificam avaliação especializada.

Causas relatadas

  • Retinopatias por infecções: sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus;
  • Catarata congênita;
  • Glaucoma congênito;
  • Anomalias do nervo óptico;
  • Albinismo;
  • Distrofias hereditárias da retina;
  • Alta miopia;
  • Doenças neurológicas;
  • Deficiência visual cortical ou cerebral;
  • Prematuridade.

O que investigar com a família

  • Reconhecimento de rostos: a criança reconhece pessoas familiares?
  • Localização de objetos: consegue localizar objetos no ambiente?
  • Autonomia para brincar: brinca com independência?
  • Comportamento em diferentes iluminações: como reage à variação de luz?
  • Atividades interrompidas: o que deixou de fazer por causa da baixa visão?

Sinais de alerta

  • Não acompanha objetos;
  • Fixação reduzida: não fixa os olhos ou mantém pouca fixação;
  • Hábito de aproximar objetos dos olhos;
  • Quedas e esbarrões frequentes;
  • Dificuldade em pouca iluminação;
  • Fotofobia ou busca intensa por luz;
  • Dificuldade para reconhecer pessoas e objetos;
  • Atraso no desenvolvimento sem causa definida.

A avaliação recomendada pela especialista inclui mensuração da acuidade visual e análise das funções visuais, além de diálogo com os pais sobre as capacidades da criança e o impacto da baixa visão nas atividades diárias. O trabalho de habilitação deve ser multidisciplinar.

Áreas que devem integrar a habilitação

  • Estimulação visual funcional;
  • Recursos ópticos e recursos não ópticos;
  • Tecnologia assistiva;
  • Orientação e mobilidade;
  • Terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia;
  • Pedagogia e orientação familiar.

“O desenvolvimento visual está relacionado ao visual, mas também ao motor, ao cognitivo, à linguagem e à interação. A visão participa da construção de toda a experiência da criança”, avaliou Maria de Fátima Neri.

Para pais, cuidadores, professores e profissionais de saúde infantil, o alerta serve para intensificar a atenção a sinais de risco e buscar avaliação oftalmológica e multidisciplinar quando houver suspeita. Em Salvador, a discussão sobre o tema foi apresentada no CBO 2026, que termina neste sábado (12).

Como próximo passo, a recomendação apresentada é encaminhar precocemente crianças com suspeita de baixa visão para avaliação especializada, a fim de proteger o desenvolvimento, a autonomia e as oportunidades futuras dessas crianças.

“Encaminhar precocemente uma criança com baixa visão não é apenas tratar a visão; é proteger o desenvolvimento, a autonomia e o futuro dela”, afirmou Maria de Fátima Neri.

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DeThalita Soledade
Thalita Soledade é jornalista e colaboradora editorial com atuação em múltiplos portais de notícias. Com olhar atento ao cotidiano informativo, contribui com cobertura abrangente de pautas regionais e nacionais, unindo agilidade na apuração com clareza na escrita.
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