Operações de câmbio ficam mais caras com o dólar perto de R$5,50, elevando custos para importadores. O Ibovespa caiu 1,42%, fechando em 165.528,92 pontos, nível não visto desde janeiro.
O mercado financeiro brasileiro encerrou nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, em queda: o dólar avançou 0,74% e foi cotado a R$ 5,486, aproximando-se da marca de R$ 5,50, enquanto o Ibovespa recuou e atingiu níveis não vistos desde janeiro. Para o leitor, isso significa custos maiores em operações de câmbio e mais volatilidade em investimentos de renda variável no curto prazo.
Números do dia
- Dólar comercial: R$ 5,486 (+0,74%)
- Máxima do dólar: R$ 5,509 (por volta das 13h50)
- Índice do dólar (DXY): 101,850 (+0,13%)
- Ibovespa: 165.528,92 pontos (-1,42%)
O movimento ocorreu no primeiro pregão de novembro, após o feriado de Finados e uma semana de forte desvalorização dos ativos nacionais. Desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 25 de outubro de 2026, o mercado cambial registrou pressão sobre o real.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com valorização de 0,74%, cotado a R$ 5,486. Durante o pregão, a moeda norte-americana chegou a superar a marca de R$ 5,50, em meio à cautela dos investidores com os rumos da política econômica brasileira.
Fatores que influenciaram as negociações
- Incertezas fiscais: dúvidas sobre a condução das contas públicas e a agenda econômica do governo;
- Expectativas para a Selic: investidores aguardaram a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para quarta-feira, 4 de novembro de 2026;
- Propostas econômicas: repercussão das ideias do economista André Lara Resende sobre mudanças no regime monetário;
- Cenário internacional: eleições legislativas intermediárias nos Estados Unidos e valorização do dólar frente a outras moedas.
Pela manhã, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as propostas de André Lara Resende apresentam deficiências e não estão em discussão no governo. O ministro também reforçou a defesa de um ajuste fiscal gradual.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,13%, aos 101,850 pontos, por volta das 17h35.
Bolsa amplia perdas
O Ibovespa fechou a terça-feira em queda de 1,42%, aos 165.528,92 pontos. Durante a sessão, o índice chegou a perder o patamar dos 165 mil pontos e registrou a mínima de 164.446,53 pontos, às 11h23. Foi o sexto pregão consecutivo de perdas desde a reeleição, considerando as sessões realizadas após o resultado eleitoral.
As ações da Petrobras e da Vale, entre as mais negociadas, contribuíram para a pressão sobre o indicador, em um pregão marcado por ajustes nos preços internacionais do petróleo e de outras commodities após o feriado. Enquanto ações de empresas de tecnologia dos Estados Unidos apresentaram recuperação durante a sessão, o mercado brasileiro permaneceu pressionado pelas incertezas domésticas.
Copom no radar
A reunião do Comitê de Política Monetária concentrou a atenção dos investidores. A taxa Selic estava em 13,75% ao ano, e o mercado acompanhava a possibilidade de manutenção do patamar diante da piora das expectativas inflacionárias e da desvalorização do real.
- Boletim Focus (3/11/2026): projeção de inflação para 2027 passou de 4,34% para 4,76% (acima do teto da meta de 4,5%);
- Projeção para a Selic no fim de 2027: subiu de 11,75% para 12,50%.
Esses números indicaram aos investidores uma possível manutenção ou ajuste na política monetária, dependendo do comunicado do Banco Central após a reunião do Copom.
Para quem acompanha finanças pessoais ou administra empresas, os desdobramentos do Copom e a evolução do câmbio serão determinantes para decisões sobre investimentos, proteção cambial e planejamento de custos de importação. A decisão do Comitê e o comunicado subsequente deverão influenciar os ativos brasileiros nos próximos pregões.
Próximo passo: o mercado seguirá atento à decisão do Copom prevista para quarta-feira, 4 de novembro de 2026, e às próximas divulgações de dados econômicos que podem alterar a percepção sobre inflação, juros e câmbio.
Esta notícia foi publicada em 03/11/2026.
