O dólar fechou em forte alta nesta quarta-feira (23) no Brasil, pressionado pela valorização da moeda em Nova York, pelo cenário eleitoral e pela alta do petróleo; a cotação aproximou-se de R$ 5,17, o que pode influenciar preços atrelados ao câmbio e decisões de investimento dos leitores. A bolsa brasileira recuou, voltando a ficar abaixo dos 186 mil pontos.
Principais números
- Dólar comercial: R$ 5,169 (+1,27%)
- Ibovespa: 185.814 pontos (-0,86%)
- Petróleo tipo Brent: US$ 98,12 (+2,84%)
- Petróleo tipo WTI: US$ 92,16 (+1,81%)
O dólar comercial à vista ganhou força ao longo da sessão e chegou a R$ 5,177 na máxima do dia, por volta das 14h40. A moeda começou os negócios em alta, acompanhando a valorização do dólar no exterior, e nas horas finais de negociação desacelerou até fechar a R$ 5,169, com ganho de 1,27%.
No mercado internacional, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante uma cesta de seis divisas, subiu cerca de 0,54%, para 101,090 pontos, próximo dos maiores níveis desde julho. Dados de atividade dos Estados Unidos também contribuíram para o movimento: o índice de gerentes de compras (PMI) avançou para 58,4 em setembro, ante 56 em agosto — leituras acima de 50 indicam expansão da atividade.
Os dados reforçaram as expectativas de juros elevados nos Estados Unidos por mais tempo; com isso, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram, aumentando a atratividade dos ativos denominados em dólar. No Brasil, o mercado também reagiu a novas pesquisas eleitorais. No ano, o dólar ainda acumula queda de 5,83% em relação ao real.
Bolsa brasileira
Após duas sessões de alta, o Ibovespa fechou em queda de 0,86%, aos 185.814 pontos. O índice oscilou entre a máxima de 188.772 pontos e a mínima de 185.676 pontos. O volume financeiro somou R$ 29,68 bilhões. O ambiente externo foi o principal fator de pressão sobre os ativos de risco, com a alta dos Treasuries, dados econômicos fortes dos Estados Unidos e o avanço do petróleo. A pesquisa eleitoral também permaneceu no radar dos investidores. Apesar da queda no dia, o Ibovespa acumula alta de 4,73% em setembro.
Nova York
- Dow Jones: 51.512,42 pontos (queda de 0,68%)
- S&P 500: 7.706,39 pontos (queda de 0,75%)
- Nasdaq: 26.936,04 pontos (queda de 1,13%)
Em Wall Street, o movimento também foi negativo. A alta dos rendimentos dos títulos estadunidenses pesou principalmente sobre ações de tecnologia, mais sensíveis às expectativas de juros. O rendimento dos papéis de dez anos ultrapassou 5% ao ano pela primeira vez desde julho de 2007. Taxas mais altas em economias avançadas estimulam a fuga de capitais de países emergentes, como o Brasil. O cenário também foi influenciado pelas tensões entre Estados Unidos e Irã e pela alta do petróleo, fatores que aumentam as preocupações com a inflação global.
Petróleo
O petróleo voltou a subir após cinco sessões consecutivas de queda, em meio à falta de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O barril do tipo Brent, referência internacional, avançou 2,84%, para US$ 98,12 por barril, enquanto o WTI, do Texas, subiu 1,81%, para US$ 92,16.
A ausência de progresso nas negociações reduziu as expectativas de uma solução de curto prazo para o conflito no Oriente Médio. Notícias sobre uma possível restrição às exportações de diesel dos Estados Unidos também contribuíram para a alta, embora tenham sido negadas posteriormente. O Departamento de Energia dos EUA informou que os estoques de petróleo do país aumentaram 2,969 milhões de barris na semana, contrariando a expectativa de queda de 500 mil barris.
Próximo passo: os mercados deverão acompanhar os rendimentos dos Treasuries, novas pesquisas eleitorais no Brasil e os desdobramentos das negociações internacionais sobre o Oriente Médio e oferta de combustíveis, elementos que podem moldar a direção do câmbio, da bolsa e do petróleo nos próximos dias.
