Desde 2023, 700 autorizações sanitárias liberaram vendas a 99 destinos, ampliando mercados para produtores e empresas. O governo divulgou os números em cerimônia no Ministério da Agricultura, em Brasília.
Brasília — O governo informou que o Brasil abriu 700 novos mercados internacionais para produtos agropecuários desde o início de 2023, um movimento que amplia destinos de exportação e pode impactar produtores e empresas do setor em diversas cidades do país. A abertura ocorreu em 99 destinos, entre países e blocos econômicos, após autorizações sanitárias para a entrada de produtos brasileiros.
O anúncio foi feito durante cerimônia no Ministério da Agricultura e Pecuária, em Brasília, na terça-feira (13). No mesmo evento, autoridades apresentaram números sobre o desempenho das exportações brasileiras em 2026 e o efeito do acordo entre Mercosul e União Europeia.
Dados e impacto nas exportações
Segundo o governo, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia impulsionou em 30,7% as exportações brasileiras para o bloco europeu entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, as exportações brasileiras para a UE somaram US$ 44,17 bilhões, o que representa um crescimento de 20% em relação aos nove primeiros meses de 2025.
O ministro das Relações Exteriores afirmou que o comércio bilateral entre os países do Mercosul e da União Europeia aumentou mais de US$ 6 bilhões desde a aprovação e a entrada em vigor do tratado, que passou a vigorar provisoriamente em 1º de maio após quase 27 anos de negociações.
Declarações dos ministros
“As exportações brasileiras tiveram uma alta de 10,4% em 2026. Só o acordo Mercosul-União Europeia, de maio até agora, significou uma expansão de 30% das nossas exportações.”
Essa declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores durante o evento. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços destacou que o crescimento do comércio exterior do país não se restringe ao agronegócio e afirmou que, em média, o comércio avançou 10,5% em 2026, em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e aumento de barreiras comerciais.
“É a pungência do setor privado e a capacidade do setor privado de expandir, sobretudo no agro. A missão número um da nova industrialização do Brasil envolve justamente a agroindústria.”
Novos mercados, cifras e projeções
As aberturas de mercado — 700 no total, contra 241 registradas na gestão anterior, segundo o ministro da Agricultura — ocorreram após autorizações sanitárias que permitiram a entrada de produtos brasileiros em 99 destinos. A estimativa da ApexBrasil é que o país exportou US$ 5,8 bilhões para esses novos mercados desde 2023 e que as vendas para esses destinos alcancem US$ 80 bilhões nos próximos quatro anos.
“Planejamos chegar a 29% do PIB agropecuário neste ano. A safra 2026/27 deve ter 366 milhões de toneladas.”
“Este governo investiu mais de R$ 610 bilhões no Plano Safra atual para agricultura empresarial e familiar. Nos quatro anos de governo Lula, foram investidos mais de R$ 1 trilhão. Isso dá conta da importância que conferimos ao agro brasileiro.”
O ministro da Agricultura também afirmou que o Brasil pretende encerrar o ano como o maior exportador mundial de alimentos, citando exportações acumuladas de US$ 169 bilhões no ano, valor informado como US$ 2 bilhões abaixo dos Estados Unidos no mesmo período.
A quem interessa e próximos passos
Produtores rurais, agroindústrias, empresas de logística e autoridades sanitárias municipais e estaduais são os principais interessados nas autorizações e na ampliação de mercados. As expectativas anunciadas incluem novas aberturas — citou-se especificamente a autorização concedida pela China para a exportação de miúdos suínos — e a continuidade de negociações diplomáticas com países como os Estados Unidos. O governo informou que seguirá promovendo ações de promoção comercial e acompanhamento sanitário para consolidar as autorizações obtidas e buscar novas permissões.
