Na Assembleia, ela questionou o secretário Jardel Mitermayer sobre a gestão da saúde. Cobrou ações por denúncias de superlotação no HUSE, falta de profissionais e sobre a concessão do Hospital do Câncer.
Durante audiência realizada nesta quarta-feira, 28, na Assembleia Legislativa de Sergipe, a deputada estadual Linda Brasil (Psol) questionou o secretário de Estado da Saúde, Jardel Mitermayer, sobre problemas recorrentes na gestão da saúde pública em Sergipe e cobrou providências que afetem o atendimento à população. A reunião, na sala das comissões, teve como objetivo a prestação de contas referente ao segundo quadrimestre de 2026 e reuniu parlamentares da Comissão de Saúde, Higiene, Assistência e Previdência Social.
Principais pontos e números apresentados
- Sobrelotação no HUSE: denúncias de que apenas oito profissionais de enfermagem ficavam responsáveis por cerca de 110 pacientes nas alas verde e azul, diante da recomendação do Conselho de Enfermagem de um profissional para cada seis pacientes.
- Convocações: previsão de 280 novas convocações para dezembro; estudos iniciados para dois novos concursos, um para a Secretaria de Estado da Saúde e outro para o Samu.
- Cirurgias ortopédicas: volume mensal dobrou desde maio, passando de uma média de 150 para quase 300 procedimentos no HUSE.
- Gestão do Hospital do Câncer: consórcio vencedor iniciaria as atividades em janeiro, assumindo integralmente a unidade, incluindo insumos e contratação de pessoal.
Superlotação, absenteísmo e telemedicina
Na audiência, Linda Brasil destacou a sobrecarga de trabalho e o risco assistencial no Hospital de Urgências de Sergipe (HUSE).
“Recebemos denúncias de que apenas oito profissionais de enfermagem chegam a ficar responsáveis por cerca de 110 pacientes nas alas verde e azul, quando, segundo a recomendação do Conselho de Enfermagem, deve haver um profissional para cada seis pacientes”
O secretário Jardel Mitermayer atribuiu a sobrecarga, em parte, aos índices de absenteísmo dos profissionais e informou que a secretaria vinha trabalhando para corrigir o problema, com previsão de abertura de novos leitos para ampliação do atendimento. Ele também reconheceu déficit de especialistas e afirmou que os municípios estavam sendo incentivados a utilizar a telemedicina.
Filas, regulação e acesso a consultas
Foi tratado o tema da demora no acesso a consultas com especialistas, citando reumatologia e neurologia como exemplos. O secretário anunciou a intenção de iniciar um protocolo para revisar as filas de regulação, com foco no absenteísmo de pacientes em consultas e exames, e verificar situações em que pacientes permanecem em filas mesmo após atendimento por serviços contratados pelos municípios.
Cirurgias e Centro de Atendimento
A deputada lembrou relatos de pacientes que aguardavam procedimentos por meses, com grande demanda reprimida em cirurgias ortopédicas e outras especialidades. O secretário apontou o aumento de acidentes de trânsito e ocorrências com idosos como fatores que ampliaram a demanda por ortopedia e reconheceu falhas no sistema de informação para dispensação de medicamentos no Centro de Atendimento à Saúde de Sergipe (Case), indicando medidas em curso para sanar esses problemas.
Gravidez na adolescência, TFD e privatização
Também foram abordados indicadores de gravidez na adolescência, especialmente entre meninas com menos de 14 anos, e possíveis falhas no reconhecimento de situações de violência sexual. O secretário informou que o comitê de prevenção à mortalidade materna e infantil iria convocar os municípios para avaliar os indicadores e direcionar ações conjuntas com outras secretarias.
A parlamentar questionou a demora na liberação de diárias do Tratamento Fora do Domicílio (TFD), mesmo quando passagens já haviam sido autorizadas, e cobrou providências para agilizar o deslocamento de pacientes para tratamentos.
“Na minha avaliação, é preciso investir nos serviços públicos, na valorização dos profissionais que trabalham servindo ao Estado, e não entregar equipamentos tão importantes à iniciativa privada”
Sobre a concessão de equipamentos públicos, Linda Brasil reafirmou posição contrária à privatização. A respeito do Hospital do Câncer, foi questionado se a manutenção da não-privatização de unidades como o HUSE seguiria válida, em referência a anúncio anterior citado pela deputada. O secretário informou que o consórcio vencedor do edital para a gestão do Hospital do Câncer iniciaria as atividades em janeiro, responsabilizando-se integralmente pela unidade.
A audiência trouxe respostas e compromissos, como a previsão de convocações em dezembro, a abertura de estudos para novos concursos e a criação de protocolo para revisão de filas. O próximo passo será acompanhar a publicação dos editais e comunicados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde e os desdobramentos do protocolo de regulação e da transição de gestão do Hospital do Câncer.
Fonte: Alese
