Organizações socioambientais e agências internacionais elogiaram os mapas entregues pela presidência brasileira da COP30. Especialistas dizem que orientarão políticas e decisões para reduzir emissões e proteger florestas.
Brasília — Organizações socioambientais e organismos internacionais repercutiram positivamente a entrega dos mapas do caminho para longe dos combustíveis fósseis e pelo fim do desmatamento e degradação florestal, anunciada nesta terça-feira (3) pela presidência brasileira da COP30. Para o leitor, os mapas representam instrumentos práticos que poderão orientar políticas públicas e decisões de empresas e organizações sociais voltadas à redução de emissões e à proteção de florestas.
Reações de instituições e especialistas
Segundo Claudio Providas, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (Pnud), os mapas avançam para a implementação do que já foi negociado nos espaços multilaterais sobre mudanças climáticas e podem ser utilizados por governos, empresas e organizações sociais.
“A presidência brasileira da COP30 demonstrou liderança. Com esses dois mapas do caminho, o Brasil faz uma contribuição importantíssima no multilateralismo. Em vez de reabrir negociações sobre compromissos já assumidos, propõe caminhos para transformar consensos existentes em ação”
Ricardo Fujii, especialista em transição energética da organização ambiental WWF-Brasil, destacou a capacidade do país de servir como exemplo no distanciamento dos combustíveis fósseis, citando a diversidade da matriz energética brasileira — hidrelétrica, eólica, solar, biomassa e biocombustíveis — e cadeias industriais instaladas. Em suas palavras, ampliar o uso dessas fontes é uma escolha competitiva que gera emprego, renda e desenvolvimento.
“Temos uma matriz predominantemente renovável, diversidade de fontes – hidrelétrica, eólica, solar, biomassa e biocombustíveis – e cadeias industriais já instaladas. Ampliar o uso dessas fontes é uma escolha competitiva, que gera emprego, renda e desenvolvimento em diferentes regiões do país”
A líder em política internacional do Observatório do Clima, Stela Herschmann, avaliou que o mapa para longe dos combustíveis fósseis responde à urgência e complexidade da transição, oferecendo caminhos possíveis.
“Acabaram as desculpas. Cada país pode e deve fazer seu diagnóstico para se situar nesse mapa e começar a lição de casa já”
Carolina Pasquali, diretora-executiva do Greenpeace Brasil, considerou que o mapa para o fim do desmatamento e degradação florestal chega com a credibilidade de um país que registrou a menor taxa de desmatamento de sua história, e que esse conhecimento pode contribuir para a construção de um senso de urgência e de uma ação global coordenada.
“A parte mais desafiadora começa agora, [que é] garantir um processo de seguimento para o mapa do caminho que seja capaz de elevar a centralidade política dessa agenda e, ao mesmo tempo, acelerar sua implementação, com participação direta e real da sociedade civil, em especial dos Povos Indígenas e comunidades tradicionais”
A ex-ministra de Meio Ambiente e Mudança do Clima e deputada federal Marina Silva lembrou que os mapas foram assumidos pela liderança brasileira onde nasceram a Conferência do Clima, junto com a da Biodiversidade e a da Desertificação, e relacionou avanços multilaterais às reduções projetadas no aquecimento global.
“Não consigo imaginar como estaria o mundo sem a Eco 92, sem as convenções, sem os esforços que foram feitos”
“No caso do Brasil, a grande contribuição é algo que a gente está celebrando muito, a redução do desmatamento que mexeu o ponteiro global para uma redução de 15% no desmatamento no mundo”
Marina Silva também afirmou, ao lembrar projeções históricas, que esforços multilaterais reduziram previsões anteriores de aquecimento global de até 4 °C para cerca de 2 °C ao fim do século, embora o limite de 1,5 °C ainda não tenha sido alcançado.
Quem é afetado e próximos passos
Os mapas interessam a governos nacionais e locais, empresas dos setores de energia e agronegócio, organizações sociais, Povos Indígenas e comunidades tradicionais, além de financiadores e organismos multilaterais. A discussão apontou que o desafio imediato será implementar mecanismos de seguimento e monitoramento que elevem a centralidade política das agendas de transição energética e fim do desmatamento, com participação da sociedade civil.
O próximo passo citado pelos interlocutores é garantir processos de acompanhamento e implementação que transformem os mapas em políticas e ações concretas, com prazos e metas definidas nos próximos ciclos de negociação e em iniciativas domésticas de planejamento e investimento.
