Organizado por Caetano Veloso, o ato reuniu artistas como Djavan, Duda Beat e Marina Sena na orla do Rio. Participantes defenderam a reeleição de Lula e alertaram para ameaças à democracia.
Rio de Janeiro — Um ato musical em defesa da democracia e da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu milhares de pessoas na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, na tarde deste domingo (18). O evento, convocado pelo cantor Caetano Veloso, trouxe artistas e discursos públicos que reforçaram a mobilização em torno da disputa eleitoral e das questões apontadas pelos participantes como ameaças à democracia.
Artistas, discursos e referências históricas
O ato contou com apresentações e participações de nomes como Caetano Veloso, Djavan, Duda Beat e Marina Sena. Em seu discurso, Caetano fez referência à prisão sofrida por ele e por Gilberto Gil durante a ditadura militar e vinculou esse passado à defesa atual da democracia.
“Vários artistas sofreram. Nós estamos aqui para apresentar uma defesa da democracia contra esse tipo de coisa e resistir contra as ameaças à democracia”
O cantor Djavan destacou a defesa da soberania nacional como parte das preocupações manifestadas no ato.
“Também é preciso defender a soberania brasileira contra ingerências externas.”
A atriz Leticia Sabatella afirmou a necessidade de proteger direitos conquistados e traçou uma comparação entre projetos políticos concorrentes.
“De um lado a gente tem um candidato de uma família que exalta torturadores, são saudosos da ditadura e não têm um programa de Estado para o Brasil. Do outro lado, a gente tem um programa de governo que a gente já viu ser implantado com políticas sociais muito importantes.”
A cantora Duda Beat comentou sobre a expressão numérica dos participantes e o tom de unidade exibido na orla.
“Isso aqui é a resposta que a gente vai dar. O povo unido consegue tudo. Viva a democracia!”
Participação de estudantes, movimentos e atos no centro
Representantes de entidades estudantis também estiveram presentes. Alejandro Guerrero, diretor de Comunicação da União Nacional dos Estudantes (UNE), deslocou-se do Rio Grande do Sul para participar e relacionou o ato ao quadro de disputa no segundo turno.
“Existem dois rumos de projeto que neste segundo turno ficam evidenciados. Um projeto que representa a democracia, a defesa da soberania nacional. Do outro lado, o entreguismo, o fascismo e a entrega das nossas riquezas para os Estados Unidos. Esse é o momento para a gente reafirmar a luta em defesa do Brasil da soberania e da democracia”
Na parte da manhã, outra manifestação, de estudantes e trabalhadores, reuniu milhares de pessoas na Praça da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. O repertório de depoimentos trouxe relatos pessoais sobre benefícios sociais e condições das universidades durante mandatos anteriores.
O casal Bráulio Martins, de 33 anos, e Laura Guimarães, de 27 anos, compareceu ao ato acompanhado do filho Ícaro, de 5 anos. Laura relatou como programas sociais impactaram sua vida após a perda da mãe em 2021.
“A partir de 2018, comecei a me envolver e pesquisar, e a praticar minha cidadania e descobrir as lutas que eu ia me envolver. Eu passei muito sufoco depois que minha mãe morreu em 2021. Fui beneficiária do Bolsa Família por um tempo, o que me ajudou muito a cuidar do meu filho e a empreender”
A estudante Andressa da Paz, 24 anos, aluna de artes visuais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), relatou condições que atribuiu ao período do governo anterior e expressou expectativa quanto ao desfecho eleitoral.
“Estou esperançosa de que dia 25 de outubro, Lula vai ganhar”
Quem se interessa e os próximos passos
O ato interessa a eleitores e moradores do Rio de Janeiro, a integrantes de movimentos estudantis e culturais e a eleitores que acompanham a disputa presidencial. Para quem acompanha a agenda política local, o conjunto de manifestações no Rio indicou mobilização visível nas ruas tanto na orla de Copacabana quanto no centro da cidade.
Organizadores, artistas e participantes relacionaram a programação às escolhas eleitorais em discussão no segundo turno e às pautas de defesa da democracia e da soberania nacional. A cobertura e as reações a esses eventos devem continuar a aparecer nos dias que antecedem os próximos atos e o desfecho eleitoral citado por participantes.
