Aumento médio de R$ 0,68 por litro entra em vigor nesta terça (1º), com QAV entre R$ 5,44 e R$ 5,70 nas refinarias. A estatal cita a guerra no Oriente Médio e problemas logísticos que elevam despesas das companhias aéreas.
A Petrobras reajustou o preço do querosene de aviação (QAV) em 13,9%, em média. O novo valor está em vigor a partir desta terça-feira (1º) e representa um acréscimo de R$ 0,68 por litro na média nacional, o que aumenta o custo do combustível utilizado por aeronaves e helicópteros e tende a pressionar as despesas das companhias aéreas.
Segundo a empresa, o ajuste foi motivado por reflexos da guerra no Oriente Médio, que vêm causando perturbações na logística da indústria do petróleo. Nas refinarias da Petrobras espalhadas pelo país, o preço do QAV passará a variar entre R$ 5,44 e R$ 5,70 por litro.
Variações por local e impacto imediato
A estatal informou que a comparação com o mês anterior mostra variações locais. A maior diferença citada foi em São Luís, com aumento de 14,34%, e a menor em Canoas (Rio Grande do Sul), com 13,51%.
- Variação média: 13,9% (R$ 0,68 por litro)
- Faixa de preço nas refinarias: R$ 5,44 a R$ 5,70 por litro
- Maior variação citada: 14,34% em São Luís
- Menor variação citada: 13,51% em Canoas (RS)
O QAV responde por cerca de 30% das despesas operacionais das companhias aéreas brasileiras, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Assim, o reajuste impacta diretamente os custos das empresas aéreas e, potencialmente, o preço final de serviços que dependem desse combustível.
Histórico de reajustes
A Petrobras detalhou o comportamento do QAV ao longo do ano e as medidas adotadas para amortecer choques de curto prazo.
- Desde o início do ano: alta acumulada de 53,3% (R$ 1,94 por litro)
- Abril: reajuste de 55%
- Maio: alta de 18%
- Junho e julho: redução do preço em episódios de menor tensão internacional
- Agosto: aumento de 1,9%
- Setembro: novo reajuste de 13,9% em vigor a partir de 1º
A empresa afirmou que o reajuste “reflete a elevação das cotações internacionais do Querosene de Aviação, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio”.
“reflete a elevação das cotações internacionais do Querosene de Aviação, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio”
Como explicação técnica, a Petrobras disse que o preço do QAV no Brasil segue uma fórmula paramétrica contratual desenhada para amortecer variações de curto prazo, produzindo ajustes mais moderados em comparação com os mercados internacionais.
“fórmula paramétrica contratual que atua como amortecedor de curto prazo, resultando em ajustes mais moderados do que os observados nos mercados internacionais”
Parcelamento e garantia de fornecimento
Para reduzir o impacto financeiro sobre as distribuidoras, a Petrobras retomou em setembro o programa de parcelamento dos reajustes. A estatal informou que permitirá o parcelamento em três parcelas mensais e garantiu o fornecimento do volume solicitado pelas distribuidoras.
“A iniciativa permitirá que as distribuidoras parcelem o aumento em três parcelas mensais, reduzindo o impacto financeiro”
Em linhas gerais, a cadeia de venda permanece: a Petrobras comercializa QAV produzido em suas refinarias ou importado para distribuidoras, que então transportam e vendem o combustível a companhias de transporte e consumidores finais nos aeroportos ou a revendedores. A empresa mantém participação próxima a 85% da produção do QAV, embora o mercado seja aberto à concorrência de outros produtores e importadores.
O próximo passo será acompanhar o comportamento das cotações internacionais e a evolução das tensões geopolíticas, além dos efeitos do parcelamento sobre os caixas das distribuidoras e das companhias aéreas nos meses seguintes.
