Usar a luz para “religar” células da retina e devolver parte da visão a quem a perdeu. Essa é uma das promessas da optogenética, tecnologia ligada às descobertas premiadas com o Nobel de Medicina de 2026. Segundo o oftalmologista Dr. Bruno Campelo, especialista em retina, a área pode mudar o tratamento de doenças hoje consideradas irreversíveis.
“Uma das aplicações mais promissoras dessa tecnologia está na oftalmologia. A proposta é utilizar células da retina que ainda estão preservadas para recuperar parte da capacidade visual de pacientes que perderam as células responsáveis pela captação da luz. É uma perspectiva muito importante para o tratamento de doenças até então consideradas irreversíveis”, explica o Dr. Bruno Campelo.
O que é a optogenética
Na prática, a optogenética usa técnicas de terapia gênica para tornar determinadas células da retina sensíveis à luz. Com o auxílio de equipamentos especiais, essas células passam a responder a estímulos luminosos e a transmitir informações visuais ao cérebro, mesmo quando os fotorreceptores naturais foram comprometidos pela doença.
A premiação, anunciada em 5 de outubro, reconheceu os pesquisadores Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel, responsáveis por descobertas fundamentais para o desenvolvimento da optogenética. A técnica permite controlar a atividade de determinadas células por meio da luz, abrindo possibilidades para o estudo do cérebro e para novas abordagens terapêuticas.
Retinose pigmentar
Entre as doenças que podem se beneficiar da tecnologia está a retinose pigmentar, condição hereditária que provoca a degeneração progressiva das células responsáveis pela visão. Pesquisas já mostraram resultados promissores na recuperação parcial de funções visuais, embora os tratamentos ainda estejam em fase experimental.
Ainda não é cura
“É importante destacar que ainda não estamos falando de uma cura para a cegueira. Mas a ciência está encontrando caminhos para recuperar funções visuais que antes considerávamos perdidas. O reconhecimento com o Nobel reforça a importância dessas pesquisas e representa uma esperança para pacientes com doenças degenerativas da retina”, destaca o especialista.
Apesar dos avanços, a optogenética ainda não está disponível como tratamento de rotina na oftalmologia. Novos estudos são necessários para avaliar segurança, eficácia e aplicação em diferentes doenças. O reconhecimento internacional, no entanto, reforça o potencial da tecnologia para ampliar as possibilidades de recuperação visual nos próximos anos.
A boa ciência anda devagar, mas anda. E cada passo como esse renova a esperança de muitos pacientes e famílias.
Com informações da assessoria
