Em Jackson Hole (Estados Unidos) e em Nova York, o tom mais duro do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, levou o dólar a subir e a se aproximar de R$ 5,20 nesta sexta-feira (28). Para o leitor, a alta do câmbio significa pressão adicional sobre preços de bens importados, custos de viagens internacionais e possível impacto em investimentos que dependem do dólar.
Principais números
- Dólar à vista: R$ 5,196 (0,62%)
- Dólar na semana: alta de 1,06%
- Ibovespa: 175.664,62 pontos (0,3%)
- Ibovespa na semana: alta de 2,71%
Câmbio
O dólar comercial operou em alta durante praticamente toda a sessão, acompanhando a valorização da moeda estadunidense no exterior após o discurso de Warsh no simpósio de Jackson Hole. A moeda chegou a cair para R$ 5,1581 na abertura, mas ganhou força ao longo da manhã e atingiu a máxima de R$ 5,23, alta de 1,30%, por volta das 13h18. No fim do pregão, desacelerou, encerrando a semana vendida a R$ 5,196 (0,62%).
Com o resultado desta sexta-feira, o dólar acumulou alta de 1,06% na semana; no ano, a moeda ainda registra queda de 5,34%.
“o Fed tem ‘trabalho a fazer’ caso a inflação siga acima da meta”, disse Kevin Warsh.
A sinalização de Warsh sobre a necessidade de ação caso a inflação subjacente não retorne de forma clara e suficientemente rápida à meta de 2% elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O título de dois anos, sensível às expectativas de política monetária, chegou a subir mais de 0,1 ponto percentual, atingindo rendimento de 4,35%. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes, subiu 0,57%, aos 99,668 pontos.
Mercado de trabalho e juros no Brasil
No Brasil, os dados do Caged mostraram abertura de 58.568 vagas formais em julho, abaixo da estimativa das instituições financeiras. O número reforçou percepção de desaceleração no mercado de trabalho e aumentou as apostas de que o Banco Central poderá reduzir a Taxa Selic em setembro. A expectativa predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75%, com possibilidade de nova redução em novembro. A Selic está atualmente em 14% ao ano, enquanto a taxa básica dos Estados Unidos está na faixa de 3,50% a 3,75%. A diferença entre as taxas influencia fluxos internacionais e o câmbio.
Ibovespa
O principal índice da B3 encerrou o pregão em alta, embora tenha perdido força após o discurso de Warsh. O Ibovespa chegou a superar os 176 mil pontos no início da sessão, mas fechou aos 175.664,62 pontos, com alta de 0,30%. Foi a oitava alta consecutiva do índice. Na semana, acumulou valorização de 2,71%; em agosto, registra queda de 1,31%; e, no acumulado de 2026, apresenta alta de 9,02%.
Os dados da B3 também apontaram entrada líquida de recursos estrangeiros na bolsa paulista: até o último dado disponível, o saldo positivo nos quatro pregões anteriores somava R$ 1,3 bilhão. No acumulado de agosto, entretanto, o fluxo estrangeiro permanece negativo em R$ 18,7 bilhões.
Bolsas nos Estados Unidos
Em Nova York, os principais índices acionários fecharam em baixa, pressionados pela perspectiva de política monetária mais restritiva do Federal Reserve. O Dow Jones recuou 0,02%, aos 53.559,99 pontos; o S&P 500 caiu 0,25%, para 7.711,73 pontos; e o Nasdaq teve queda de 0,52%, aos 26.402,42 pontos. A alta dos rendimentos dos títulos públicos dos EUA reduziu o apetite por ativos de maior risco.
Interessa a essa movimentação especialmente investidores, empresas com exposição cambial, importadores, exportadores e viajantes. Quem quiser acompanhar as cotações deve consultar sua corretora ou plataforma de investimentos para obter cotações em tempo real e orientações sobre proteção cambial.
O próximo passo para os mercados será a continuidade das análises sobre a postura do Fed e a divulgação de novos indicadores econômicos. No Brasil, o mercado seguirá atento à evolução do emprego formal e às decisões do Banco Central sobre a Selic nas próximas reuniões.
