O ICMBio, com base em detecções do INPE, divulgou redução do desmatamento em unidades de conservação na Amazônia e no Cerrado. Mas a queda exige manutenção da fiscalização para conter o desmate ilegal.
O desmatamento em unidades de conservação da Amazônia Legal e do Cerrado registrou queda em 2026, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Para o leitor, a redução aponta menor perda de vegetação dentro de áreas protegidas, mas indica também a necessidade de manter a fiscalização para reduzir o desmate ilegal remanescente.
Dados gerais e comparação histórica
A análise considerou detecção por satélite feita pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Na Amazônia, foram registrados 111 km² de desmatamento em unidades de conservação, o que representa queda de 17% sobre os 134 km² registrados em 2025. Em relação ao pico da série histórica, em 2021 (618 km²), a redução foi de 82%.
O ICMBio informou que a redução nas unidades de conservação convergiu com a queda do desmatamento em toda a Amazônia Legal e avaliou que o resultado reflete ações de fiscalização e proteção ambiental nas áreas mais pressionadas. Ainda assim, permanece a estimativa de que 3% do corte ilegal ocorra dentro de locais protegidos.
Unidades com maior concentração de desmatamento
Amazônia
- Floresta Nacional de Altamira — Pará
- Floresta Nacional de Jamanxim — Pará
- Área de Proteção Ambiental do Tapajós — Amazonas
- Reserva Extrativista Chico Mendes — Acre
- Parque Nacional do Juruena — Mato Grosso e Amazonas
Cerrado
No Cerrado, o desmatamento dentro de unidades federais também caiu em 2026, mas em ritmo menor: houve redução de 8% em relação a 2025. O INPE identificou 47 km² derrubados dentro de 29 unidades que somam 6,25 milhões de hectares. A área desmatada nas unidades protegidas correspondeu a 0,9% do total de desmatamento no bioma, que perdeu ao todo 5,5 mil km² de vegetação, volume 23% menor que em 2025.
- Área de Proteção Ambiental Nascentes do Rio Vermelho — Goiás
- Área de Proteção Ambiental do Planalto Central — próxima ao Parque Nacional de Brasília
- Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba
“Nosso país tem, nessas unidades, um polo de proteção da vida”
“[A redução] significa também que ativos econômicos e o nosso patrimônio estão resguardados para as próximas gerações”
As declarações foram feitas por Mauro Pires, presidente do ICMBio, em posicionamento enviado à imprensa.
Quem é afetado e próximos passos
Os resultados interessam a gestores públicos responsáveis por unidades de conservação, comunidades tradicionais e indígenas que vivem nas regiões, organizações de conservação e responsáveis por políticas ambientais. A redução do desmatamento em áreas protegidas pode influenciar planejamento de fiscalização, ações de recuperação e medidas de proteção territorial.
O próximo passo da cobertura será acompanhar os desdobramentos das ações de fiscalização anunciadas e as atualizações periódicas de monitoramento por satélite pelo INPE e pelo ICMBio, para verificar se a tendência de queda será mantida e para mapear áreas ainda vulneráveis ao corte ilegal.
