Na sexta (11), Dia Nacional do Cerrado, ONGs lançaram a mobilização #VotePeloCerrado para que candidatos declarem apoio ao bioma e aos povos locais. Um documento público vai checar quais candidatos assinam as propostas.
Organizações da sociedade civil lançaram a campanha #VotePeloCerrado e passaram a convocar candidatos às eleições deste ano a comprometerem-se publicamente com a proteção do Cerrado e dos povos que vivem no bioma. Para o leitor, a iniciativa traz uma ferramenta pública de checagem das promessas dos postulantes: um documento que será usado para identificar quem declarou apoio às medidas de preservação.
O lançamento ocorreu nesta sexta-feira (11), Dia Nacional do Cerrado. As entidades responsáveis destacaram que o bioma abriga nascentes que alimentam oito das 12 principais bacias hidrográficas do país; contudo, mais de 50% da vegetação nativa do Cerrado já foi destruída e os rios do bioma vêm enfrentando redução média de 27% na vazão.
O documento formaliza quais postulantes às vagas no Executivo e no Legislativo se comprometem publicamente com as demandas apresentadas pela campanha. A carta-compromisso está disponível para assinaturas em site da campanha, onde interessados poderão consultar o texto e acompanhar as adesões.
A mobilização é liderada pela Rede Cerrado e pela Campanha Nacional em Defesa do Cerrado. A Rede Cerrado reúne mais de 500 organizações por meio de associadas, enquanto a Campanha Nacional articula mais de 60 entidades. As redes reúnem povos indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares, movimentos socioambientais e organizações de conservação.
Pontos defendidos
- 1. Proteger o Cerrado e garantir seu reconhecimento como patrimônio nacional;
- 2. Proteger as águas como direito fundamental;
- 3. Garantir terra, território e autodeterminação dos povos;
- 4. Combater a grilagem e a violência no campo;
- 5. Enfrentar os impactos dos grandes empreendimentos e garantir a consulta livre, prévia e informada;
- 6. Promover a agroecologia e fortalecer a agricultura familiar;
- 7. Valorizar a sociobiodiversidade e a soberania alimentar;
- 8. Garantir saúde, educação, participação popular e condições dignas de vida.
Engajamento e declarações
Na avaliação de coordenadores e representantes envolvidos na campanha, a proteção do Cerrado exige ações de longo prazo e a eleição de parlamentares sensíveis à pauta ambiental e aos direitos dos povos tradicionais.
Para a coordenadora do Programa Cerrado no Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN), Isabel Figueiredo:
“Precisamos eleger parlamentares que compreendam a importância do Cerrado e não tenham uma visão imediatista que pode comprometer o nosso futuro.”
A secretária executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira, indicou os elementos que devem orientar os compromissos dos candidatos:
“As eleições precisam colocar no centro políticas que fortaleçam a agricultura familiar, a agroecologia e a sociobiodiversidade, garantindo território, crédito e acesso a mercados para quem cuida do bioma.”
Durante o lançamento online da campanha, o presidente do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), Samuel Leite Caetano, alertou para a escolha de representantes do Congresso comprometidos com pautas ambientais e direitos dos povos tradicionais. Um representante do povo geraizeiro ressaltou os riscos ligados às escolhas eleitorais:
“Se a gente não souber votar em quem vai fazer a regularização fundiária, demarcação e gestão dos nossos territórios, a gente vai entregar para outros interesses. Temos visto inúmeras pressões contrárias, inclusive para rever unidades de conservação pelo país.”
O representante também afirmou que proteger o Cerrado é interesse de todo o país, lembrando o papel do bioma no abastecimento de grandes capitais e do sistema hidrográfico nacional:
“A água que abastece as capitais vem do Cerrado, assim como todos os grandes rios. É preciso ter a dimensão da importância desse bioma, ainda mais nesse contexto de emergência climática.”
Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, avaliou que o atual momento político reforça a necessidade de escolhas eleitorais atentas:
“É preciso votar em políticos que se preocupem com os biomas e com o clima. Em plena crise climática, com chegada do El Niño, vemos candidatos negacionistas. Posições políticas que não consideram a emergência em que vivemos só vão piorar a vida dos brasileiros.”
Quem desejar acompanhar a campanha ou verificar quais candidatos assinaram a carta poderá consultar o espaço de divulgação mantido pela iniciativa e acompanhar futuras atualizações sobre adesões. O documento passará a servir como referência pública para identificar os compromissos assumidos por candidatos durante o processo eleitoral.
