O PLOA 2027, enviado ao Congresso nesta segunda (31), inclui R$ 6 bilhões para os Correios, parte do acordo de financiamento e da reestruturação. A previsão orçamentária não garante transferência imediata dos recursos.
O governo federal vai prever um aporte de R$ 6 bilhões no caixa dos Correios em 2027, como parte do acordo de financiamento firmado pela estatal no fim de 2025 e do plano de reestruturação da empresa. A previsão será incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que será encaminhado ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31). Para os usuários dos serviços postais e para a gestão fiscal, a inclusão no PLOA representa a previsão orçamentária do recurso, mas não assegura que os R$ 6 bilhões serão transferidos de uma só vez no início de 2027.
Segundo nota conjunta dos ministérios das Comunicações, da Gestão e Inovação em Serviços Públicos e do Planejamento e Orçamento, a previsão de R$ 6 bilhões está relacionada às condições estabelecidas no contrato do empréstimo de R$ 12 bilhões firmado pelos Correios com cinco bancos em dezembro de 2025. O contrato prevê que a União deverá injetar pelo menos R$ 6 bilhões para apoiar a execução do plano de reequilíbrio da estatal e estabelece que o recurso precisa estar disponível até o fim de 2027, cabendo ao governo definir o momento e a forma de distribuição do montante.
A operação de crédito foi realizada com garantia do Tesouro Nacional. Isso significa que, caso os Correios não cumpram as obrigações financeiras, a União poderá ser acionada para honrar a dívida com as instituições credoras. O contrato também prevê consequências caso o aporte mínimo estabelecido não seja realizado: os bancos podem exigir o vencimento antecipado da dívida, o que acarretaria a necessidade de quitação dos R$ 12 bilhões pela União, além dos encargos previstos.
Os Correios divulgaram balanço que apontou prejuízo líquido de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026 e prejuízo acumulado de R$ 5,5 bilhões de janeiro a junho. Apesar de redução de 5,5% do prejuízo do segundo trimestre ante o mesmo período de 2025, o prejuízo semestral teve alta de 30,4% em relação a 2025. Entre as causas apontadas estão a redução das receitas dos serviços postais tradicionais, aumento dos custos operacionais, passivos judiciais, maior concorrência no setor de logística e despesas para manutenção da rede necessária ao serviço postal universal.
Principais números
- R$ 2,4 bilhões: prejuízo líquido no segundo trimestre de 2026
- Redução de 5,5%: do prejuízo do segundo trimestre ante o mesmo período de 2025
- R$ 5,5 bilhões: prejuízo acumulado no primeiro semestre de 2026
- Alta de 30,4%: do prejuízo semestral em relação a 2025
- R$ 7,9 bilhões: receita no primeiro semestre
- R$ 274,5 milhões: margem bruta no semestre
- Queda de 4,2%: nos gastos com pessoal no semestre
- R$ 233,7 milhões: economia com despesas de pessoal
- 6.545: empregados desligados pelo PDV, dos quais 2.767 no primeiro semestre
- R$ 322 milhões: economia com a regularização de passivos vencidos
- R$ 1,8 bilhão: dívida bancária quitada antecipadamente
- R$ 460,4 milhões: queda nas receitas do segmento internacional
O texto também informa medidas do plano de reestruturação lançado em dezembro de 2025: Programa de Demissão Voluntária (PDV), redução de custos, venda de imóveis ociosos, renegociação de contratos, mudanças na jornada de trabalho, alterações nos planos de saúde, retorno ao trabalho presencial e criação de um marketplace próprio. No segundo trimestre de 2026, os custos dos serviços dos Correios somaram R$ 7,6 bilhões no período, 14% abaixo do valor previsto no orçamento para os primeiros seis meses do ano, e o resultado do Ebitda foi de R$ 910 milhões, 18% melhor que a previsão para o período.
Quem é afetado e como acompanhar
A decisão interessa a usuários dos serviços postais, municípios que dependem do serviço postal universal, empregados da estatal, credores e ao próprio governo federal. A inclusão do aporte de R$ 6 bilhões estará formalizada no PLOA de 2027 que será encaminhado ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31) e passará por análise parlamentar. A operação de crédito de R$ 12 bilhões foi contratada em 2025 com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander, com garantia da União; além disso, os Correios negociam uma nova operação de crédito de aproximadamente R$ 7 bilhões, também com aval do governo federal, em estágio avançado.
Próximo passo
O próximo passo será a tramitação do PLOA de 2027 no Congresso Nacional e a definição, por parte do governo, do momento e da forma de disponibilização dos recursos previstos. Em maio, o Tribunal de Contas da União determinou ao governo a adoção de medidas para viabilizar o cumprimento da obrigação dentro do prazo previsto; caso o aporte mínimo não ocorra, os bancos podem exigir o vencimento antecipado da dívida, com potencial acionamento da União para quitação dos R$ 12 bilhões.
