Alta do petróleo e recuo do dólar impulsionaram a bolsa, que fechou em 179.722,48 pontos na terça. Investidores ajustam posições com melhora nos ativos atrelados a mercado acionário e câmbio.
Na terça-feira (1º), o Ibovespa subiu 1,3% e fechou aos 179.722,48 pontos, atingindo o maior nível desde 12 de maio. A alta da bolsa ocorreu em meio à valorização internacional do petróleo e à queda do dólar comercial, movimentos que alteraram o cenário para investidores e poupadores que acompanham aplicações atreladas ao mercado acionário e câmbio.
Principais números
- Dólar comercial: R$ 5,153 (-0,54%)
- Ibovespa: 179.722,48 pontos (+1,3%)
- Petróleo Tipo Brent: US$ 94,65 (+4,6%)
- Petróleo WTI: US$ 90,22 (+5,2%)
O dólar comercial encerrou o pregão desta terça-feira (1º) com queda de 0,54%, vendido a R$ 5,153, passando a acumular baixa de 6,12% no ano. No início da sessão, a moeda chegou a subir para R$ 5,20 após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que mostrou desaceleração da economia. O dado do PIB reforçou a percepção de que o Banco Central pode voltar a reduzir a Taxa Selic, atualmente em 14% ao ano.
Ao longo da manhã, porém, o dólar perdeu força e passou a operar em baixa, em linha com outras moedas de emergentes e com a valorização do petróleo. Por volta das 14h20, a divisa chegou a cair para R$ 5,13. A queda do dólar frente a divisas emergentes ocorreu na contramão do desempenho frente a moedas de economias avançadas: o índice DXY subiu 0,27%, a 99,681 pontos, no fim da tarde.
Desempenho do mercado acionário
O Ibovespa avançou 1,3%, aos 179.722,48 pontos, depois de ter ultrapassado os 181 mil pontos pela primeira vez em quase quatro meses. Entre os destaques do pregão estiveram as ações da Petrobras, que reagiram à valorização do petróleo no mercado internacional e ao anúncio de ajuste nos preços do querosene de aviação.
- Ações preferenciais da Petrobras: alta de 4,11%
- Ações ordinárias da Petrobras: alta de 4,14%
- Reajuste do preço médio do QAV pela Petrobras: +13,9%
O avanço das ações do setor petrolífero também foi apoiado pelo recorde de produção brasileira de petróleo em julho, que alcançou 4,5 milhões de barris por dia, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
PIB, fluxos e cenário externo
O PIB do segundo trimestre teve crescimento de 0,5% em relação ao trimestre anterior, após expansão de 1,1% no primeiro trimestre. O resultado mostrou perda de ritmo da atividade, com retração do consumo das famílias e menor dinamismo da indústria, e manteve as expectativas de novos cortes na Selic.
Na última sessão de agosto, o mercado acionário brasileiro registrou saída líquida de R$ 130 milhões em capital estrangeiro. No acumulado de agosto até o dia 28, o saldo negativo chegava a quase R$ 18,6 bilhões. Enquanto isso, o mercado norte-americano teve desempenho negativo: o S&P 500 caiu 0,71% e o rendimento do título de dez anos do Tesouro dos EUA registrou alta.
Petróleo e tensões internacionais
O preço do petróleo subiu com força na terça-feira após anúncios de novos ataques entre Estados Unidos e Irã, elevando preocupações sobre a oferta global, especialmente diante das tensões no Estreito de Ormuz. O petróleo WTI fechou em alta de 5,2% (US$ 4,46), a US$ 90,22 por barril, e o barril do tipo Brent para novembro avançou 4,6% (US$ 4,16), a US$ 94,65.
O movimento nos preços do petróleo e a volatilidade cambial impactaram os papéis de empresas do setor e alteraram o apetite por risco no mercado local.
Interessa a investidores em ações e câmbio, gestores de recursos, empresas do setor de petróleo e cadeias que dependem de combustíveis. Quem acompanha os desdobramentos deve observar comunicados oficiais de empresas e agências reguladoras, além das cotações em pregões e dos próximos indicadores macroeconômicos.
O próximo passo da história será o acompanhamento da evolução das tensões no Oriente Médio, novas divulgações de produção e oferta de petróleo, e eventuais movimentos do Banco Central sobre a política de juros, fatores que deverão continuar a influenciar bolsas, câmbio e preços de combustíveis nas próximas sessões.
