O faturamento da indústria de transformação caiu 3,5% em agosto, no segundo mês consecutivo de retração, e essa queda se traduziu em menos horas trabalhadas e menor utilização da capacidade produtiva, segundo indicadores divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para leitores que trabalham no setor ou dependem da atividade industrial, a sequência de recuos aponta ritmo mais fraco da produção e impacto acumulado no desempenho anual.
Principais indicadores
- Faturamento em agosto: queda de 3,5%
- Faturamento em julho: queda de 2,2%
- Faturamento no ano: recuo de 0,2%
- Horas trabalhadas em agosto: queda de 1%
- Horas trabalhadas no ano: queda de 0,8%
- Capacidade instalada: de 77,5% para 76,9%
- Capacidade instalada no ano: alta de 1,5%
- Emprego em agosto: estabilidade
- Emprego no ano: queda de 0,5%
- Massa salarial: +0,5% em agosto e +0,9% no ano
- Rendimento médio: +0,5% em agosto e +1,5% no ano
Faturamento recuou no terceiro trimestre
A receita bruta das empresas da indústria de transformação registrou queda de 3,5% em agosto, depois de recuar 2,2% em julho. Com essas duas quedas consecutivas, o faturamento acumulou retração de 0,2% no período de janeiro a agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado foi indicado como reflexo da perda de ritmo da atividade industrial ao longo do terceiro trimestre.
Fábricas operaram menos
As horas trabalhadas na produção diminuíram 1% em agosto. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o indicador registrou queda de 0,8% em relação ao mesmo período de 2025. A redução da produção também afetou a utilização do parque fabril: a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu 0,6 ponto percentual, passando de 77,5% para 76,9%.
Apesar da queda mensal, a utilização média da capacidade instalada nos oito primeiros meses de 2026 ficou 1,5% acima do registrado no mesmo intervalo de 2025, conforme os dados divulgados.
Emprego e renda
O nível de emprego industrial manteve-se estável em agosto, repetindo o comportamento observado nos meses anteriores. No entanto, no acumulado de janeiro a agosto, o emprego no setor apresentou queda de 0,5% frente aos oito primeiros meses de 2025.
Ao mesmo tempo, a massa salarial avançou 0,5% em agosto e 0,9% no acumulado do ano, enquanto o rendimento médio subiu 0,5% em agosto e 1,5% no acumulado do ano.
Pressões sobre o desempenho
Segundo a CNI, fatores que pressionaram o desempenho da indústria incluíram a carga tributária, o custo de insumos e matérias-primas e os juros elevados. Em nota, a entidade afirmou que esses fatores afetaram tanto a demanda por produtos industriais quanto o endividamento das famílias, impactando o setor de forma prolongada.
A quem interessa e próximos passos
Os dados interessaram a empresários do setor industrial, trabalhadores, sindicatos, gestores públicos e analistas econômicos que acompanham a evolução da produção e do emprego. Como próximos passos, a série histórica dos indicadores será observada para verificar se a tendência de queda no faturamento se mantém nos meses seguintes e como isso influenciará decisões de produção, contratação e políticas setoriais.
