Equipe de Lula informou que apresentará à Organização dos Estados Americanos denúncia contra a Meta, alegando alteração na entrega de posts que teria reduzido a visibilidade de candidatos. A ação também irá à autoridade de proteção de dados, disse Camilo Santana.
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que fará uma denúncia contra a empresa Meta junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) por interferência nas eleições brasileiras, informou a coordenação nesta quarta-feira (14/10/2026). Segundo a campanha, a medida busca questionar decisões da empresa que, na visão dos representantes, teriam impactado a entrega de postagens e a geração de conteúdo sobre candidatos nas plataformas administradas pela Meta.
O coordenador da campanha, Camilo Santana, afirmou que a representação também será apresentada à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e que o pedido para acionar a OEA vem do próprio presidente e candidato à reeleição. Nesta quarta-feira, a campanha já havia acionado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por constatar restrições na entrega de postagens aos usuários de plataformas da Meta.
“Mais uma vez a campanha vem denunciar a interferência externa nas eleições e nós sabemos o peso que as redes sociais têm numa eleição presidencial”
Segundo a coordenação, a campanha se reuniu com partidos e entidades de defesa da democracia de 12 países para divulgar e reforçar a denúncia internacionalmente. Participaram da reunião entidades de vários países, incluindo Argentina, Reino Unido, Chile, Estados Unidos, Espanha e Moçambique.
Países e entidades que participaram da reunião
- Argentina
- Reino Unido
- Chile
- Estados Unidos
- Espanha
- Moçambique
O caso ganhou evidência também por testes realizados por usuários e por parte da imprensa. A campanha relatou que, em certo momento, o perfil de Lula no Instagram teve indisponíveis por várias horas os botões de repostar e de criar stories com aquele conteúdo. Em testes com a inteligência artificial da Meta, foi solicitado gerar uma imagem usando as palavras “Lula” e o número “13”; a resposta recebida foi: “Não consegui gerar a imagem do panfleto que você pediu”. O mesmo pedido com o nome do candidato Flávio resultou na produção de um cartaz com as frases “Eleições 2026”, “Vote Flávio 22”, “Juntos por um futuro melhor” e supostos programas de governo.
“Estamos representando junto à Agência Nacional de Proteção de Dados e também junto a organizações internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA), fazendo essa denúncia oficial”
Em nota, a Meta afirmou ter proibido a recomendação ou a geração de imagens de candidatos. A empresa disse que adotou medidas adicionais para evitar que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas produzam imagens.
“Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”
O caso também traz à tona a Resolução 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral, que veda aos provedores de aplicação que ofereçam inteligência artificial “ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatas (os), campanhas, partidos políticos” e impede que essas IAs “emitam opiniões, indicar preferência eleitoral, recomendar voto ou realizar qualquer forma de favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, de maneira direta ou indireta, inclusive por meio de respostas automatizadas”.
O especialista em governança de IA Ettore Arpini afirmou que não é possível, com os dados atuais, concluir que houve intenção da empresa de favorecer um candidato, mas destacou que falhas técnicas podem ter consequências políticas e que a responsabilidade de testar essas ferramentas é de seus desenvolvedores. Em seguida, o texto registra outra declaração atribuída a “Ettori”, ressaltando a necessidade de capacidade nacional para avaliar e fiscalizar sistemas de IA.
“Precisamos de regulação e pesquisadores, jornalistas e instituições que entendam a tecnologia e consigam testar como ela funciona no nosso contexto. Não podemos ficar dependendo só da explicação das empresas que desenvolvem esses sistemas. É uma questão de soberania digital”
Organizações e veículos já haviam reportado casos anteriores relacionados à Meta: em junho, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) denunciou derrubada de perfis ligados a mídias independentes; em setembro, foi relatada a desativação da conta de anúncios da campanha de reeleição sem explicação pública. Um levantamento da organização CTRL+Z documentou mais de mil casos de restrições e banimentos por parte da Meta, indicando que em 22% dos episódios as contas ou postagens foram censuradas sem justificativa pública.
Quem acompanha a disputa eleitoral — eleitores, partidos, jornalistas, pesquisadores e órgãos de fiscalização — terá como próximos passos a análise das representações apresentadas ao TSE, à ANPD e à OEA. A campanha aguarda posicionamentos dessas instituições; a Meta já divulgou seu posicionamento público sobre medidas temporárias adotadas nas plataformas.
