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Sergipe

ONU: aquecimento acima de 1,5°C elevará desastres e exige ação

Thalita Soledade
Última atualização: 02/09/2026 20:28
Thalita Soledade
Publicado em: 02/09/2026
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ONU: aquecimento acima de 1,5°C elevará desastres e exige ação

ONU prevê que o limite climático será superado nos próximos anos, elevando ondas de calor, secas, chuvas intensas e perdas agrícolas. Especialistas pedem redução de emissões e adaptação imediata.

Nesta quarta-feira (2), as Nações Unidas anunciaram que o planeta deve ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento nos próximos anos. Isso significa que eventos extremos — como desastres naturais, ondas de calor, secas históricas, chuvas intensas e perdas agrícolas — se tornarão mais frequentes, com efeitos diretos na saúde pública, na produção de alimentos e na economia local e global.

No anúncio, especialistas destacaram a necessidade de ações urgentes para mitigar emissões e ampliar medidas de adaptação. O diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), André Guimarães, afirmou que a divulgação deve ser tratada com gravidade e provocar medidas imediatas.

“Hoje é um dia triste para a humanidade. Fomos derrotados por nós mesmos”

“Temos que reduzir urgentemente a queima de combustíveis fósseis, acabar com a conversão de florestas e mudar, de forma geral, nossa relação com a natureza”

Dados técnicos e projeções

Em evento promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), a presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS) da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Thelma Krug, detalhou a atual trajetória do aquecimento e suas implicações. Segundo ela, a temperatura global já está cerca de 1,37°C acima dos níveis pré‑industriais, com avanço aproximado de 0,26°C por década.

“Fazendo uma conta bem rápida, teríamos três ou quatro anos para limitar o aquecimento, se continuarmos no ritmo atual de emissões”

Thelma Krug alertou que quanto mais tempo o planeta permanecer acima do limite de 1,5°C, maior será a necessidade de remoção de dióxido de carbono da atmosfera e mais difícil será reverter o aquecimento.

Impactos econômicos e necessidades de investimento

O economista Sergio Margulis, do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professor da PUC‑Rio, destacou perdas já observadas e o custo da transição. Segundo Margulis, prejuízos em infraestrutura, agricultura, saúde e energia representam hoje cerca de 2% do PIB global.

“Hoje o mundo gasta uns 2 trilhões de dólares com descarbonização. Só que a gente precisa aumentar esse patamar para 5 trilhões ou até um pouco mais. Não tem como fugir disso”

“Adaptação não resolve o problema físico do aquecimento global. Temos que parar com as emissões. Os países não podem ficar esperando a reversão do clima para agir”

Margulis ressaltou que, além de ampliar investimentos em adaptação, a ação mais urgente é reduzir emissões na origem para limitar impactos futuros.

Alvos políticos e próximos passos

O coordenador de política internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo, qualificou o relatório da ONU como um alerta para evitar que a ultrapassagem de 1,5°C se torne ainda maior e situou a continuidade das políticas de combustíveis fósseis como elemento central para o futuro climático.

“Abandonar o objetivo de devolver os termômetros a 1,5ºC não é uma opção; seria assinar um pacto coletivo de suicídio. Mas o pico e o declínio não ocorrerão enquanto países produtores de combustíveis fósseis olharem para essas indústrias como uma benesse em vez de uma maldição”

“É preciso parar já a expansão fóssil no mundo, e a COP31, daqui a dois meses, é uma oportunidade de tomar essa decisão”

Para cidadãos e setores como agricultura, saúde, energia e infraestrutura, o cenário implica aumento da exposição a riscos climáticos e demanda por medidas de proteção, planejamento e investimento. O próximo marco político citado pelos especialistas é a COP31, em dois meses, apontada como oportunidade para decisões sobre a expansão de atividades fósseis e metas de redução de emissões.

A cobertura do tema tende a se manter em destaque nas próximas semanas, conforme governos, organismos internacionais e setores econômicos dialogarem sobre metas de mitigação, necessidades de financiamento e estratégias de adaptação diante da perspectiva de aquecimento acima de 1,5°C.

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DeThalita Soledade
Thalita Soledade é jornalista e colaboradora editorial com atuação em múltiplos portais de notícias. Com olhar atento ao cotidiano informativo, contribui com cobertura abrangente de pautas regionais e nacionais, unindo agilidade na apuração com clareza na escrita.
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