Levantamento com 1.800 entrevistados aponta que 91% consideram mudanças climáticas e preservação importantes. Porém, o tema ficou em 9º (19%), atrás de segurança e custo de vida; eleitores querem propostas para 2026.
Um levantamento com 1.800 brasileiros mostra que 91% dos entrevistados consideram importantes as mudanças climáticas e medidas de preservação ambiental, e que a maioria deseja que os candidatos às eleições de 2026 apresentem propostas sobre o tema. Apesar disso, as mudanças climáticas aparecem em nono lugar entre as preocupações da população, com 19% das citações, atrás de temas como segurança e custo de vida. Para o eleitor, o resultado reforça que o tema é valorizado, mas divide prioridade com outras demandas cotidianas.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (17) e mostram ainda que 62% dos entrevistados consideram o tema “muito importante”. A pesquisa indicou amplo reconhecimento de impactos climáticos: 87% concordam que as mudanças climáticas estão provocando secas, chuvas intensas e ondas de calor; 85% avaliam que o fenômeno afeta o cotidiano dos brasileiros; 79% defendem priorizar o tema mesmo que isso implique custos econômicos; e 76% entendem que ainda é possível evitar impactos mais graves com medidas imediatas.
Prioridades apontadas pelos entrevistados
- 49% — Segurança pública e criminalidade (maior preocupação)
- 41% — Aumento do custo de vida / inflação
- 36% — Violência contra as mulheres e feminicídios
- 34% — Qualidade da saúde pública
- 19% — Mudanças climáticas e crise ambiental (9º lugar)
Principais problemas ambientais citados
- 35% — Mudanças climáticas (apontadas como principal problema ambiental)
- 21% — Gestão de resíduos e lixo
- 15% — Qualidade do ar e poluição
- 14% — Escassez de água e secas
A pesquisa também perguntou sobre as causas das mudanças climáticas: 58% atribuíram o fenômeno principalmente à atividade humana; 36% o consideraram resultado de combinação entre atividade humana e fenômenos naturais; e 5% o atribuíram principalmente a causas naturais. Sobre responsabilidade pelo enfrentamento, 67% indicaram que empresas e indústrias têm mais responsabilidade do que cidadãos.
Quanto ao conhecimento sobre o papel do gás metano no aquecimento global, a maioria (64%) identificou como principal fonte os aterros sanitários, lixões e a queima de combustíveis fósseis. O levantamento observa, porém, que no Brasil o gás metano é emitido principalmente pela pecuária.
Avaliação das instituições e normas
- 43% — Rejeitam a flexibilização das normas ambientais e defendem que investimentos se adaptem à regulamentação vigente
- 78% — Avaliação negativa do papel das pessoas em geral nas políticas ambientais
- 75% — Avaliação negativa do comportamento das empresas privadas
- 71% — Avaliação negativa do governo brasileiro
O levantamento foi apresentado como indicação de que o problema ambiental é percebido como um déficit sistêmico, não atribuído exclusivamente a uma única instituição, e que a principal responsabilidade para liderar mudanças recai sobre o governo federal. Sobre a presença do tema na agenda eleitoral, o estudo afirma que a maioria dos entrevistados quer compromissos dos candidatos: 62% consideram as propostas sobre clima “muito importantes”.
“A maioria dos presidenciáveis tem planos fracos ou inexistentes para o tema. Um dos candidatos, inclusive, é um negacionista convicto. A pesquisa mostra que os brasileiros querem compromissos dos candidatos na agenda climática, mas infelizmente não é o que está acontecendo.”
Em relação ao posicionamento público, 90% consideram muito importante que o governo e as políticas públicas se dediquem à proteção ambiental, enquanto apenas 3% consideram o tema pouco ou nada importante.
“O esforço a ser feito é para que essa preocupação se reflita em votos que assegurem a eleição de candidatos que realmente incorporem esse tema em sua atuação. Em plena crise climática, não dá para aceitar negacionistas, declarados ou disfarçados, nem no Executivo, nem no Legislativo”
A pesquisa ouviu 1.800 pessoas de todo o país, com 18 anos ou mais, entre os dias 17 e 20 de agosto. O questionário, aplicado online, foi composto por 32 perguntas sobre clima e meio ambiente e a presença desses temas na agenda pública e governamental, além de cuidados, atitudes e comportamentos relacionados.
Para o leitor interessado no tema — eleitores, lideranças locais, organizações da sociedade civil e agentes públicos — os resultados indicam pontos que podem ser cobrados de candidatos e gestores, como propostas claras, normas ambientais e mecanismos de responsabilidade. O próximo passo da cobertura será acompanhar se e como as campanhas para 2026 incorporarão compromissos e metas concretas sobre clima e meio ambiente.
