São Paulo — Eleitores encontraram longas filas e movimentação intensa na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Perdizes, Zona Oeste da capital, maior local de votação do estado e do país nestas eleições. A instituição esperava receber 17 mil eleitores, distribuídos em 46 seções, o que provocou esperas superiores a uma hora em pelo menos duas seções e a necessidade de substituição de urna em uma delas.
Na manhã do dia 04/10/2026, houve relatos de filas na seção 35, onde a urna precisou ser substituída duas vezes, e na seção 440, próxima a rampas e elevadores e apontada como referência em acessibilidade, que também registrou concentração de eleitores e esperas prolongadas. Eleitores têm até as 17h para escolher candidatos.
Por volta das 9h40, o aposentado Ernesto Ferreira Pires afirmou que já contava uma hora e meia de espera. Ele votou rapidamente em sua seção, mas aguardava a mulher, identificada no material como Mirian.
“Viemos cedo para acompanhar minha filha, que não mora no bairro, mas continua votando aqui. Ela também votou rápido, o processo de votação em si está sendo rápido. Mas, pelo visto, será assim o dia inteiro”, ponderou.
“Valeu a espera, pela democracia e pela soberania.”
Relatos e números
Outro eleitor, Marco La Rosa de Almeida, chegou com a esposa por volta das 8h40 e, às 10h20, ainda esperava pela votação dela na seção 440. Ele descreveu reincidência de filas longas nessa seção em eleições anteriores.
“Esta seção é assim em todos os anos, com muita fila e dificuldades. Tem de redistribuir um pouco o pessoal. Na última eleição, foram três horas de fila, e é a única na qual a fila preferencial não funciona na prática”, se queixou Marco, com a filha de 4 anos no colo.
Também na fila da seção 440, o consultor Ismael Almeida, identificado como tendo mais de 70 anos, avaliou a espera como um problema menor diante da obrigação cívica.
“A gente não pode se omitir. Mesmo eu que, com mais de 70 anos, poderia não votar. Estou aqui para dar a minha contribuição para um país que eu acredito que seja o melhor para todos os nossos”.
No mesmo local, o estudante Tomás Schneider votou pela primeira vez após completar 18 anos neste ano e disse ter preferido vir cedo, por ser um horário mais calmo. Ele afirmou ter priorizado candidatos de sua geração.
“Acabei de fazer 18 anos este ano. Quis logo vir de manhã, porque é um horário mais calmo. Eu estou animado, acho que essas decisões vão ser importantes para o cenário do nosso país”.
“O ponto principal, para mim, foi tentar eleger jovens, independentemente de grupo ou lado político. Meu pai trabalhou na política há muito tempo, na área pública, então, eu nasci meio que inserido nessa área. Gosto muito de política e acho que as pessoas têm que se interessar”.
O comerciante Thomás Cury, que já atuou como mesário em eleições anteriores, compareceu apenas como eleitor e relatou ter trazido uma “colinha” em papel com informações de candidatos. Ele afirmou que, mesmo com a espera, manteve disposição para votar e acompanhar familiares ao longo do dia.
“Não vou desanimar aqui, não. Votarei e depois ainda venho, durante a tarde, trazer meu pai”.
“Desconhecia alguns projetos que apresentaram durante estes últimos anos e gostei bastante do que vi. Cada um tem suas razões e motivos para não votar ou para escolher, mas não é difícil, hoje, você parar, conhecer as propostas e avaliar os candidatos”.
Para quem interessa e próximos passos
A movimentação interessa em especial aos eleitores cadastrados nas 46 seções instaladas na PUC-SP e a moradores de Perdizes e bairros próximos, além de pessoas idosas e com mobilidade reduzida que utilizam a seção 440. O voto está disponível até as 17h no local informado. O próximo passo será o encerramento da votação no horário previsto e a apuração dos votos.
