Governo federal intensifica combate a incêndios no oeste do Pará, com foco no Chapadão. Brigadistas, aeronaves e órgãos de segurança foram mobilizados também para áreas próximas, inclusive São Félix do Xingu e Altamira.
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (22) que vai intensificar as ações de resposta aos incêndios florestais no Pará, com foco na região do Chapadão, na divisa entre os municípios de Santarém e Uruará; a mobilização também envolve áreas próximas a São Félix do Xingu e medidas que afetam Altamira. Para o leitor local, a mudança significa maior presença de brigadistas, aeronaves e apoio de órgãos de segurança nas áreas mais atingidas.
Em entrevista coletiva na tarde de hoje, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, disse que a operação conta com equipes e equipamentos específicos para atuar no terreno e no combate aéreo. As ações vão se concentrar na chamada região do Chapadão, próxima à rodovia estadual PA 370 e ao entrocamento da Transamazônica (BR-230).
Efetivo, aeronaves e alcance da operação
Segundo os números apresentados na coletiva, a operação envolverá pessoal e meios terrestres e aéreos para reforçar o combate aos focos em áreas de conflito e invasões irregulares. Os dados divulgados indicam a dimensão da mobilização federal.
- 522 brigadistas do Ibama e do ICMBio;
- 41 veículos terrestres;
- 13 aeronaves mobilizadas, entre as quais 6 aviões do modelo Air Tractor destinados a lançar água sobre as chamas, que ficarão baseados na região de Santarém;
- 321 eventos de fogo ativos no Pará, distribuídos em 76 municípios;
- 2.991 focos de calor identificados pelo Inpe entre 14 e 20 de outubro, número que foi 610 maior que o comparado no período anterior;
- 62 incêndios florestais registrados na região do Chapadão.
Onde ocorreram os focos e causas apontadas
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que os incêndios se concentram em invasões irregulares em assentamentos da reforma agrária e em reservas legais, e que, nesses locais, foram identificadas práticas irregulares de manejo com uso intencional do fogo. A região do Chapadão abrange áreas limítrofes de Santarém, Uruará e São Félix do Xingu.
“Acionamos a Força Nacional de Segurança para auxiliar no trabalho dos brigadistas”,
“Não estamos afirmando que há ocorrência direta [de incêndios criminosos], mas isto está sendo investigado”,
Capobianco também declarou que as forças policiais estão investigando uma possível ação criminosa na região para promover os incêndios e que o apoio da sociedade é importante para evitar o uso inadequado do fogo e para denunciar atos suspeitos.
Impactos locais e medidas administrativas
A Prefeitura de Altamira, no sudoeste do Pará, decretou situação de emergência em razão dos incêndios, medida que abrange áreas urbanas, rurais e ribeirinhas. Até o momento, 16 municípios paraenses decretaram situação de emergência por conta da estiagem e dos incêndios florestais, e outros sete pedidos de reconhecimento federal estão em análise.
Ao justificar o reforço, o governo mencionou a escassez de chuvas associada ao fenômeno El Niño e a consequente ampliação de municípios em condição de seca moderada a severa, o que limita a capacidade de resposta local e demanda apoio federal para agilizar repasses e ações de Defesa Civil.
Ontem (21), o governo federal encaminhou ao Congresso Nacional a Medida Provisória 1398/26, que abre crédito extraordinário de R$ 300 milhões no Orçamento de 2026 para ações da Defesa Civil, em especial para o combate ao aumento de focos de queimadas na Amazônia.
Quem é afetado e como proceder
As medidas interessam diretamente moradores das áreas afetadas em Santarém, Uruará, São Félix do Xingu, Altamira e demais municípios do oeste do Pará, assim como prefeituras, Defesa Civil municipal e órgãos de saúde que atuam no atendimento de populações com problemas respiratórios. As autoridades pedem que a população evite fazer fogo sem manejo adequado e denuncie práticas irregulares às polícias e à Defesa Civil municipal.
Não havendo contatos ou endereços específicos divulgados na nota oficial, os moradores devem procurar a Defesa Civil do seu município ou os canais oficiais locais para orientação e registro de ocorrências.
O próximo passo anunciado é a continuidade das operações de combate com brigadistas e aeronaves baseadas na região de Santarém, a investigação policial sobre possíveis ações criminosas e a tramitação da MP 1398/26 no Congresso, que poderá liberar recursos adicionais para ampliar a resposta às queimadas.
“Estamos trabalhando nas ações preventivas em relação a esse fenômeno que vem tornando nossas florestas mais suscetíveis a incêndios desde 2024”,
