Neste domingo, moradores do Varjão e de outras áreas de Brasília passaram pelas seções eleitorais. Havia jovens estreando no voto, idosos com prioridade e trabalhadores conciliando turno e votação.
Brasília — No Varjão, periferia do Distrito Federal, e em outras seções eleitorais de Brasília, eleitores de diferentes idades votaram neste domingo (25) para escolher quem vai governar o Brasil pelos próximos quatro anos. A movimentação incluiu jovens votando pela primeira vez, idosos com preferência na fila e profissionais que conciliaram trabalho e voto.
Aos 95 anos, Horácio da Silva compareceu à seção instalada na única escola pública do Varjão, vestindo a camiseta com a estampa de seu candidato. Logo que a seção foi aberta, ele teve preferência na fila, identificou a digital do polegar e votou na cabine. Na mesma comunidade, familiares se revezaram para levá-lo às urnas: no primeiro turno foi a filha; no segundo turno, a neta contadora Rayane Ferreira da Silva, que mora próxima ao patriarca, o acompanhou.
“Tem que votar para melhorar o Brasil”.
Rayane declarou que o avô se preocupa com as gerações futuras e que deseja deixar um país melhor para a família.
“Meu avô se preocupa com os outros, com os filhos, netos, bisnetos e até os tataranetos que tem. Ele quer deixar um país melhor para a gente”.
No Centro de Ensino Médio Paulo Freire, na Asa Norte de Brasília, a jovem Maria Teresa Neves Hora, que completou 16 anos há menos de um mês, votou pela primeira vez. Ela disse ter sido influenciada pelos pais a tirar o título eleitoral e compareceu acompanhada da família.
“É muito importante que os adolescentes votem, porque isso impacta a vida de todo mundo”.
“Quero um país que tenha mais igualdade social, que todo mundo tenha oportunidades de fazer o que quer na vida e melhorar. Também [desejo] um país mais amável com todo mundo, independentemente da religião ou de qualquer outra coisa.”
Trabalho, voluntariado e fiscalização
Alguns eleitores foram às urnas cedo porque tinham de trabalhar. Em Brasília, o chapeiro Janaildo Santana disse que priorizou o voto antes da jornada na lanchonete. Havia também cidadãos que atuaram como voluntários na votação: a professora Orícia Azevedo Chaves, aos 18 anos, se apresentou à Justiça Eleitoral e já atuou como secretária e mesária; neste domingo ela foi presidente de seção no Varjão.
“Sinto que estou fazendo minha missão de cidadã, exercendo meu dever. Vai além dos benefícios, como ter folgas [no trabalho] e isenção na inscrição de alguns concursos.”
A professora Ecleidiane Nascimento dos Santos atuou como fiscal de partido e afirmou que essa função permite verificar irregularidades e acompanhar o processo.
“Um fiscal da cidade conhece de perto todas as pessoas e pode verificar se está tudo ocorrendo certinho, se não há nenhum tipo de erro, boca de urna, compra de votos ou indução ao voto ao candidato que interessa a quem está levando o outro para votar e, assim, obrigando as pessoas a votarem nele também.”
Motivações e direitos
O país tinha mais de 158 milhões de eleitoras e eleitores aptos a votar. A Constituição Federal de 1988 garante que cada voto tem o mesmo peso, independentemente de raça, condição econômica, religião ou local de moradia. As motivações variaram: o auxiliar de almoxarifado Marcio Sampaio vestiu verde e amarelo e pediu participação popular nas urnas; o jovem desempregado João Lucas Sousa Rodrigues marcou posição sobre sua orientação e trajetória pessoal; e os irmãos aposentados por incapacidade, Dagoberto e Poliana Fernandes Leite, foram às urnas preocupados com a manutenção do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS).
“O povo deve acordar porque, desse jeito, a coisa está feia. Temos que mudar as leis desse país. A criminalidade está demais. Sou pela diminuição da maioridade penal também. O menor tem que responder pelos seus atos porque a violência é geral.”
“Sou um homem preto, gay, sou da Universidade Federal de Brasília, sei de onde eu, minha mãe e minha família viemos, sei o que passei também na minha infância. Então, voto hoje por quem minha mãe e eu somos”.
“Não quero perder nosso benefício. Com ele, compro co
Os votos vão definir quem vai governar o país nos próximos quatro anos; o processo de apuração e a confirmação dos resultados seguirão os prazos e procedimentos previstos pela Justiça Eleitoral.
