Em Brasília, o senador Rogério Marinho disse que não foi avisado sobre a saída de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. O caso motivou o cancelamento dos passaportes, inquéritos e a possível perda do foro ao fim do mandato, em fev/2027.
Em Brasília, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha de Flávio Bolsonaro à presidência, afirmou nesta terça-feira (27) que não sabia da fuga do agora ex-candidato para os Estados Unidos. O caso envolve o senador pelo Rio de Janeiro e traz consequências jurídicas e políticas: os passaportes de Flávio foram cancelados pela Polícia Federal, ele está alvo de inquéritos e o mandato no Senado terminará em fevereiro de 2027, quando perderá o foro privilegiado.
Marinho participou de uma reunião com parlamentares e líderes do PL em Brasília e disse ter sido surpreendido pela saída do ex-candidato. Segundo ele, havia a expectativa de que Flávio assumisse papel de liderança da oposição, a partir dos cerca de 60 milhões de votos que obteve na eleição.
“Estamos surpresos porque ontem nós conversamos sobre a necessidade de que Flávio, com os 60 milhões de votos que teve, assumisse esse papel de liderança da oposição, que é importante, porque temos um governo que claramente tem feito mal ao país, na nossa avaliação”
Marinho também relatou ter recebido, por volta das 8h desta terça, uma mensagem de texto em que Flávio escreveu que iria “dar um tempo” e depois voltaria a falar com aliados.
“dar um tempo”
O embarque para os Estados Unidos ocorreu menos de 48 horas após Flávio perder as eleições presidenciais. Aliados no Brasil reagiram e um deles, o senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ), publicou uma declaração que indica que Flávio teria sido para os EUA para evitar uso político em processo relacionado ao ministro Alexandre de Moraes.
“Confirmado! Flávio Bolsonaro foi para os EUA para não ser usado como moeda de troca contra o impeachment de Moraes!”
Até o momento, nenhuma autoridade do Brasil ou dos Estados Unidos se manifestou oficialmente sobre a saída do ex-candidato.
Investigação e medidas judiciais
Flávio Bolsonaro é investigado em diferentes inquéritos pela Polícia Federal por crimes que incluem evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção. Em fevereiro de 2027 o mandato de senador pelo Rio de Janeiro acaba e ele perderá o foro privilegiado, conforme consta nos registros sobre o caso.
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, havia determinado que o ex-candidato entregasse os passaportes à Polícia Federal, mas os documentos não foram entregues. A decisão está em segredo de justiça e foi tornada pública pelo próprio senador. A ordem judicial integra o processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados no STF por lavagem de dinheiro.
Por causa do descumprimento da ordem judicial, os passaportes do parlamentar foram cancelados pela Polícia Federal. Em vídeo postado ontem, Flávio negou que tinha planos de sair do país e afirmou que entregaria os passaportes.
Quem é afetado e próximos passos
O desdobramento interessa a eleitores, aliados políticos, autoridades judiciais e órgãos de investigação, uma vez que a situação pode influenciar o andamento dos inquéritos e a atuação política do PL no curto prazo. Os próximos passos incluem eventuais manifestações oficiais de autoridades judiciais, apurações sobre as circunstâncias do embarque e a continuidade das investigações, além do término do mandato do senador em fevereiro de 2027, que mudará sua situação processual.
A cobertura seguirá a divulgação de novas decisões judiciais, comunicações oficiais das autoridades envolvidas e esclarecimentos por parte dos interlocutores do ex-candidato.
