Samira de Castro, presidenta da Fenaj, diz que formatos instantâneos e marketing superficial têm esvaziado o debate sobre os rumos do país. Ela aponta a grande mídia e a crise institucional como agravantes.
A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, afirmou que o debate público sobre os rumos do Brasil tem sido esvaziado por um modelo eleitoral marcado pela ausência de propostas estruturais. Segundo ela, dois fatores principais explicam a mudança: a busca da grande mídia por audiência instantânea e a adesão de candidaturas a uma lógica de marketing superficial, o que altera o que chega ao eleitor.
Para Samira de Castro, a cobertura jornalística e o formato das campanhas estão produzindo um cenário em que temas estruturais perdem espaço. Ela aponta que uma crise político-institucional envolvendo denúncias relacionadas ao caso Master já extrapolou o Poder Judiciário, atingindo outras organizações, como a Polícia Federal, e que esse cenário está dominando o noticiário.
“Sofremos um processo violento de ‘tiktokização’ da campanha eleitoral. Tudo se resume à dancinha.”
A dirigente da Fenaj afirmou que, com a atenção pulverizada e o consumo superficial de notícias, poucos candidatos parecem dispostos a debater a fundo os problemas do país. Ela destacou que, na medida em que a crise institucional ocupa a primeira página, pautas comuns de período eleitoral — como discussão de programas de governo e demandas da sociedade civil — ficam em segundo plano.
Impactos no debate eleitoral e recomendações
Samira declarou que, mesmo com a aproximação do primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro, ela não espera mudanças substanciais na forma como imprensa e público vão acompanhar o caso. Em sua análise, a tendência é de que a cobertura continue privilegiando a repercussão de fatos e vazamentos que mobilizam setores políticos e econômicos.
“Acho que a mídia precisa insistir na segunda agenda. É importante cobrir a crise do Poder Judiciário. Inclusive porque rende muita audiência – o que também é necessário. Mas a agenda própria aos debates políticos precisa de uma certa insistência.”
Samira destacou temas que devem receber mais atenção nas campanhas, entre eles a questão climática e o aproveitamento de terras raras. Ela também reclamou do que chamou de jornalismo declaratório e da competição com redes sociais por engajamento momentâneo, que, segundo ela, empobrece o debate público.
“É preciso ir além do jornalismo declaratório, do ‘quem disse o quê’, e buscar ouvir a população, que é afetada no dia a dia pela política.”
Essa análise interessa diretamente a eleitores, organizações da sociedade civil, profissionais de imprensa, e candidatos, pois afeta a qualidade da informação disponível para a escolha eleitoral. Para quem acompanha a campanha, a recomendação implícita é priorizar coberturas que abordem propostas e impactos concretos das políticas públicas, consultando fontes plurais e verificáveis.
O próximo passo no cenário descrito por Samira é a continuidade da cobertura da crise institucional nas próximas semanas e a disputa sobre a pauta pública até o primeiro turno em 4 de outubro. A Fenaj defende que a imprensa mantenha insistência nas agendas estruturais, para além da repercussão de escândalos.
