De janeiro a agosto de 2026 foram identificadas 1.581 violações de violência política contra mulheres, pois uma mesma comunicação pode incluir várias agressões. O canal oferece atendimento reservado e encaminhamento a órgãos competentes.
Entre janeiro e agosto de 2026, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou 1.564 denúncias de violência política contra mulheres em todo o país, totalizando 1.581 violações identificadas no ano eleitoral. Para quem pretende participar da vida pública ou denunciar agressões, o dado indica a existência de um canal com atendimento reservado e encaminhamento a órgãos competentes.
Dados e alcance
O total de 1.581 violações é maior que o número de denúncias porque uma mesma comunicação pode conter mais de um tipo de violência cometida pelo mesmo agressor. As estatísticas registraram também distribuição por raça e por unidade da federação:
- Raça: 842 denúncias (53,82%) referem-se a mulheres pretas e pardas; 590 (37,72%) a mulheres brancas; e 132 (8,44%) a mulheres de outras raças.
- Estados com maiores registros (jan–ago/2026):
- São Paulo: 430 registros
- Rio de Janeiro: 260 registros
- Minas Gerais: 149 registros
- Bahia: 89 registros
- Rio Grande do Sul: 62 registros
- Paraná: 61 registros
- Santa Catarina: 56 registros
Tipos de violação
As denúncias incluem discriminação e desigualdade de tratamento por gênero, raça ou etnia; ameaças; difamação de candidatas; divulgação de conteúdo inverídico; desqualificação de habilidades; interrupção de fala em ambientes políticos; questionamentos sobre escolhas de vida privada; julgamento pela aparência e forma de vestir. Entre os crimes registrados estão ameaças de morte e estupro, ataques racistas e transfóbicos, vandalização de materiais de campanha, coação, constrangimento, intimidação e deslegitimação, além de casos com responsabilização judicial.
“É assustador porque as violências políticas são, no fundo, questões estruturais, sejam elas no limite da ameaça à vida, sejam essas violências cotidianas e veladas que tentam desestimular a participação da mulher na política”.
Quem interessa e como acessar o serviço
O Protocolo de Enfrentamento à Violência Política Contra as Mulheres integra o Plano de Ação do atendimento e estabelece diretrizes para prevenir, registrar, acolher, encaminhar e acompanhar casos. O atendimento prevê sigilo, orientação sobre direitos, encaminhamento aos órgãos competentes e adoção de medidas para interromper a violência e proteger a mulher. Podem recorrer ao protocolo:
- candidatas a cargos eletivos;
- mulheres detentoras de mandato eletivo (deputadas, vereadoras, senadoras, prefeitas);
- ocupantes de cargos públicos;
- lideranças comunitárias e sociais;
- defensoras de direitos humanos e representantes de movimentos sociais;
- ativistas e demais mulheres que exerçam atuação política ou pública, mesmo sem candidatura.
O canal de denúncia continua sendo a Central de Atendimento à Mulher pelo telefone 180, que deve orientar sobre os passos seguintes e os encaminhamentos possíveis.
Comparação com 2025 e próximos passos
Em 2025, o mesmo canal registrou 2.310 denúncias de violência política contra mulheres, contendo 2.334 violações. No recorte de janeiro a agosto de 2025, a central contabilizou 1.649 denúncias. A redução pontual observada entre períodos não permite, segundo a secretaria responsável, definir tendência, podendo haver subnotificação.
O Tribunal Superior Eleitoral classificou a violência política de gênero como um entrave à entrada e permanência de mulheres na política. Às vésperas das eleições gerais, a justiça eleitoral divulgou que o número de processos relacionados ao tema subiu de 15, em 2022, para 177 em 2026, dos quais 26 estão ligados diretamente à campanha para as eleições de 2026. O novo protocolo prevê atuação integrada entre instituições do sistema de Justiça e a rede de proteção às mulheres, com objetivo de fortalecer proteção de direitos políticos e responsabilização dos autores.
“Agora, nesta disputa eleitoral, até quando vandalizam um banner de mulheres, não rasgam em qualquer lugar. Furam o olho, rasgam o rosto. Isso é uma afronta aos corpos das mulheres, à sua figura feminina”.
