Estudo da FUP aponta que a Petrobras teve lucro líquido de R$ 85,1 bilhões no 1º semestre de 2026. A estatal registrou a maior margem de lucro entre grandes petroleiras, superando Saudi Aramco, ExxonMobil e Chevron.
A Petrobras alcançou, no primeiro semestre de 2026, a maior margem de lucro entre um grupo de grandes petroleiras internacionais, posição que se refletiu em lucro líquido de R$ 85,1 bilhões no período. O dado consta de estudo divulgado em 16/09/2026 pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e coordenado pelo economista Cloviomar Cararine, do Dieese.
Para o leitor, o resultado indica que, no período considerado, a estatal obteve maior proporção de receita convertida em lucro em comparação a concorrentes como Saudi Aramco, ExxonMobil e Chevron. A margem de lucro mede justamente essa eficiência — que parte da receita total que se transforma em lucro após custos, despesas e tributos.
O levantamento compara resultados financeiros de grandes petroleiras desde 2020 e aponta que é a primeira vez em que a Petrobras aparece no topo do ranking de margem de lucro. Entre 2020 e 2025, a Saudi Aramco havia figurado como dona da maior margem em todos os anos, com a Petrobras quase sempre na vice-liderança (exceto em 2024).
Margem de lucro das grandes petroleiras
- Petrobras: 29,15%
- Saudi Aramco: 25,48%
- Chevron: 18,01%
- ExxonMobil: 16,33%
- BP (Reino Unido): 14,83%
- Equinor (Noruega): 12,84%
- Shell (anglo-holandesa): 9,94%
- TotalEnergies (França): 9,44%
Ranking de lucros (1º semestre de 2026)
- Saudi Aramco: US$ 65,4 bilhões
- ExxonMobil: US$ 18,7 bilhões
- Petrobras: US$ 16,6 bilhões
- Shell: US$ 15,5 bilhões
- Chevron: US$ 14,3 bilhões
- TotalEnergies: US$ 11,8 bilhões
- BP: US$ 9,5 bilhões
- Equinor: US$ 7,9 bilhões
- ConocoPhillips (EUA): US$ 6,1 bilhões
O estudo utilizou dados divulgados pelas próprias empresas. O pesquisador optou por não incluir no comparativo companhias chinesas, como Sinopec e PetroChina.
Sobre as razões do desempenho, o economista responsável pelo levantamento atribuiu parte do resultado à combinação de fatores operacionais e de mercado. Em declaração reproduzida no estudo, ele afirmou:
“grande eficiência operacional da companhia”
Ainda segundo o coordenador do levantamento, o desempenho foi sustentado pelo aumento da produção, pela alta dos preços internacionais do petróleo (reflexo da guerra no Oriente Médio), pela redução dos gastos gerais e pelo fato de a empresa ser integrada — produz e refina o óleo —, o que, na avaliação do estudo, amplia a capacidade de atravessar crises em relação a concorrentes internacionais.
No segundo trimestre de 2026, a produção de petróleo e gás natural da Petrobras atingiu 3,34 milhões de barris de óleo equivalente (boe) por dia, a maior da história da companhia, segundo o levantamento. Cerca de 30% dessa produção foi vendida ao exterior, o equivalente a 996 mil barris por dia.
O estudo registra também recorde histórico do Fator de Utilização (FUT) das refinarias da companhia, que chegou a 101,2% — indicador que reflete maior utilização da capacidade de refino.
O levantamento comparou resultados desde 2020 e observou que, entre 2020 e 2025, a Saudi Aramco liderou a margem de lucro. Os dados apresentados no estudo servirão de base para comparações com futuros relatórios financeiros trimestrais e anuais divulgados pelas companhias, que podem alterar posições no ranking conforme novos números forem disponibilizados.
