Relatório do Pnuma diz que cortar emissões 18% até 2030 (vs 2025) pode limitar o aquecimento a 1,7–1,8°C e permitir voltar a 1,5°C até 2100. Medidas políticas, empresariais e individuais agora são decisivas.
Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) afirma que ainda é possível limitar o aquecimento global entre 1,7°C e 1,8°C e retornar ao limite de 1,5°C acima dos níveis pré‑industriais até 2100, desde que as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) sejam reduzidas em 18% até 2030 em comparação com 2025. Para o leitor, isso significa que decisões políticas e ações empresariais e individuais tomadas agora podem influenciar a trajetória climática e os riscos para saúde, agricultura e infraestrutura.
O relatório estabelece metas de redução adicionais: cortes de 45% até 2035 e de 69% até 2040, sempre comparados aos níveis de 2025. Na prática, o documento diz que é necessário um esforço global médio capaz de alcançar uma redução anual de 5,7% entre 2025 e 2035.
O estudo, intitulado “Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026: O Ponto de Retorno”, foi lançado pelo Pnuma e apresenta projeções e caminhos possíveis para limitar a ultrapassagem de 1,5°C. Entre as análises, o relatório compara cenários com a trajetória atual e com o cumprimento integral das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).
Segundo o relatório, mantida a trajetória atual, o aquecimento global poderá atingir 2,8°C ao longo deste século. Mesmo com o cumprimento pleno das NDCs e com restauração de biomas capaz de neutralizar emissões até 2050, o aquecimento ainda chegaria a 2,1°C neste século.
Impactos previstos
O documento destaca que maiores picos de temperatura e durações mais longas de aquecimento ampliam impactos já observados no planeta. Como exemplo de consequência associada a cenários mais quentes, o relatório indica o derretimento de um quarto das geleiras do planeta e uma elevação do nível do mar de até 12,5 centímetros, o que afetaria permanentemente a disponibilidade de água potável em várias localidades.
- Aumento do nível do mar: risco de elevação e efeitos costeiros.
- Colapso de ecossistemas: como os recifes de coral.
- Ondas de calor e incêndios: maior frequência e intensidade.
- Alterações na criosfera: mudanças nas calotas polares, gelo marinho, geleiras e neve.
Políticas e evidências
O relatório analisou mais de 220 avaliações de políticas adotadas globalmente e identificou iniciativas com efeitos mensuráveis sobre emissões. As políticas no setor elétrico foram capazes de reduzir emissões em uma média de 9%. Instrumentos econômicos, como impostos sobre carbono e sistemas de comércio de emissões, demonstraram redução entre 5% e 13%.
“Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos mantê‑la o mais pequena e curta possível – e trazer as temperaturas de volta para menos de 1,5 graus até o final do século”
Essa avaliação foi reforçada pelo secretário‑geral das Nações Unidas, António Guterres, no texto de apresentação do relatório.
“Agora cabe às nações implementar urgentemente políticas que promovam reduções de emissões rápidas, profundas e sustentáveis, e que coloquem o mundo no caminho certo para um clima mais estável e para economias e sociedades mais estáveis”
A fala foi atribuída à diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, segundo o relatório.
A quem interessa: governos, autoridades locais, setor elétrico, empresas que emitem GEE, setor agrícola e público em geral. O relatório indica que o próximo passo será a implementação urgente de políticas que promovam reduções rápidas e monitoramento rigoroso das metas nacionais para avaliar se as trajetórias se alinham às metas de temperatura apresentadas.
