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Economia

Empresas e sindicatos atacam decisão do BC que mantém Selic em 13,75%

Cláudio Vasconcelos
Última atualização: 04/11/2026 20:27
Cláudio Vasconcelos
Publicado em: 04/11/2026
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Empresas e sindicatos atacam decisão do BC que mantém Selic em 13,75%

Empresários, centrais sindicais e parlamentares afirmam que os juros altos elevam o custo do crédito, freiam investimentos e pressionam o orçamento público. A CNI considerou a decisão equivocada e excessivamente conservadora.

Rio de Janeiro — A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central foi alvo de críticas do setor produtivo, de centrais sindicais e de parlamentares. Para esses grupos, a decisão eleva o custo do crédito, pressiona o orçamento público e pode frear investimentos e o consumo, com impacto direto em empresas e famílias.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou a decisão como equivocada e excessivamente conservadora, afirmando que juros elevados encarecem crédito e desaceleram a economia. O presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu a retomada dos cortes na Selic na próxima reunião do Copom, prevista para dezembro.

“É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade dos preços”

A CNI destacou, ainda, o aumento do endividamento das famílias e a pressão sobre os custos de financiamento das empresas como consequências da manutenção da taxa em patamar elevado.

Reações do comércio e das centrais sindicais

A Associação Paulista de Supermercados (Apas) também criticou o nível da Selic. O economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz, afirmou que juros elevados prejudicam comércio, serviços e indústria, além de limitar consumo e investimentos. Ele mencionou a expectativa de expansão inferior a 2% neste ano como referência para o impacto sobre a atividade econômica.

“Está na hora de o Banco Central adotar uma política monetária que tanto controle a inflação quanto não prejudique o ritmo de atividade econômica”

Entre as centrais sindicais, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) criticaram a manutenção da Selic. A presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, afirmou que a política monetária amplia o endividamento e compromete recursos públicos.

“Quanto mais alta a Selic, maior também será a dívida do Estado, com menos recursos sobrando para o que importa, como saúde, educação e segurança”

A Força Sindical classificou a decisão como “irracional, nefasta e desastrosa”. O presidente da entidade, Miguel Torres, declarou que juros altos restringem o crédito, a produção e a geração de empregos.

Posição política e próximos passos

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ, Rio de Janeiro) também criticou a medida e atribuiu a manutenção dos juros à pressão do mercado financeiro após a eleição presidencial. Em postagem nas redes sociais, o parlamentar afirmou que o uso da taxa como instrumento de pressão sobre o governo eleito encarece o crédito e sufoca a produção; ele cobrou explicações do Banco Central e defendeu investimentos em indústria, ciência e infraestrutura.

“É inadmissível que, depois da derrota de seu candidato, a Faria Lima passe a torcer contra o Brasil e use os juros como instrumento de pressão sobre o governo eleito”

O próximo passo formal indicado no debate é a próxima reunião do Copom, prevista para dezembro, quando entidades como a CNI cobram retomada do ciclo de cortes. No curto prazo, as reações apontam para pressão política e acompanhamentos setoriais sobre indicadores de inflação, crédito e atividade econômica, que servirão como referências para eventuais ajustes na política monetária.

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DeCláudio Vasconcelos
Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.
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