Grupo vai orientar expansão da infraestrutura de recarga e o planejamento do sistema elétrico. MME coordena trabalho para reunir subsídios técnicos e propostas diante do avanço de veículos elétricos e híbridos.
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a criação de um grupo de trabalho para auxiliar na elaboração da Estratégia Nacional de Eletromobilidade, medida que pode afetar motoristas, empresas do setor automotivo e gestores públicos ao orientar a expansão da infraestrutura de recarga e o planejamento do sistema elétrico.
A iniciativa, motivada pelo aumento da frota de veículos elétricos e híbridos no país, foi coordenada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e terá entre suas funções reunir subsídios técnicos e propostas para orientar a expansão do setor.
Tarefas, temas e prazo
O colegiado terá atribuições definidas pelo CNPE e avançará em estudos sobre os principais desafios técnicos, ambientais e de logística para a mobilidade eletrificada no Brasil. Em linhas gerais, os temas que serão discutidos incluem:
- Infraestrutura de recarga: expansão da rede de carregamento e necessidades de oferta;
- Impactos sobre o sistema elétrico: efeitos do crescimento da frota sobre a demanda por energia e sobre as redes de distribuição;
- Cadeia de baterias: disponibilidade e sustentabilidade dos minerais usados na fabricação de baterias;
- Questões ambientais: avaliação de impactos associados à produção e descarte de componentes;
- Mobilidade urbana: integração da eletromobilidade com políticas de transporte e planejamento urbano.
Entre as tarefas específicas estão a avaliação da expansão da rede de carregamento, a análise da sustentabilidade dos minerais utilizados em baterias e a mensuração dos efeitos do crescimento da frota sobre a demanda por energia.
O grupo terá prazo de 120 dias, prorrogável por igual período, para elaborar um diagnóstico da eletromobilidade no país e apresentar propostas para a estratégia nacional. Ao final dos trabalhos, será entregue um relatório ao CNPE.
Dados sobre o avanço do setor
O movimento para a criação do grupo ocorre em meio ao avanço das vendas de veículos eletrificados. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foram emplacados 381,6 mil veículos leves elétricos ou híbridos entre janeiro e setembro de 2026, volume quase 70% superior ao registrado em todo o ano passado.
Do total informado, 303,4 mil unidades são veículos que dependem de recarga na rede elétrica, como modelos totalmente elétricos e híbridos plug-in, que representam cerca de 80% do mercado de eletrificados. Em setembro, esses veículos responderam por 19,8% das vendas de automóveis leves no país.
De acordo com o MME, o crescimento do setor acompanha os cenários do Plano Nacional de Energia (PNE) 2055, que prevê maior participação da eletricidade nos transportes e aumento da demanda por minerais estratégicos usados na fabricação de baterias. A tendência exigirá, segundo o planejamento, investimentos em infraestrutura de recarga e na modernização das redes de distribuição de energia.
Quem é afetado e próximos passos
A atuação do grupo interessa a proprietários de veículos eletrificados, montadoras, fornecedores de infraestrutura de recarga, concessionárias de energia e administrações municipais que planejam políticas de mobilidade e infraestrutura. Não foram indicados contatos públicos ou canais de participação na documentação disponível.
O próximo passo formal será a elaboração do diagnóstico pelo grupo de trabalho dentro do prazo estabelecido e a entrega do relatório ao CNPE, que poderá orientar medidas regulatórias e investimentos para apoiar a expansão da eletromobilidade no país.
