Investidores reagiram à maior aversão ao risco no exterior, elevando o dólar e pressionando ações na B3. O câmbio terminou perto de R$ 5,49 e o Ibovespa ficou em torno de 166,2 mil pontos.
O dólar fechou em alta e a bolsa encerrou em queda nesta quinta-feira (5), em um pregão marcado pelo aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais, cenário que afetou investidores brasileiros e pode influenciar decisões de poupança e investimentos no país. A moeda norte-americana terminou próxima de R$ 5,49, e o principal índice da bolsa brasileira recuou para cerca de 166,2 mil pontos.
Números do dia
- Dólar à vista: R$ 5,4876 (+0,67%)
- Ibovespa: 166.191,45 pontos (-0,82%)
- Volume financeiro da bolsa: R$ 31,16 bilhões
- Índice DXY (dólar perante moedas fortes): 101,560 (+0,09%)
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com valorização de 0,67%, cotado a R$ 5,488. O movimento acompanhou a deterioração do cenário externo, especialmente no mercado acionário dos Estados Unidos, e a busca por proteção no dólar levou investidores a reduzir posições em ativos de risco, incluindo moedas de países emergentes.
O índice DXY, que mede o desempenho da moeda estadunidense em relação a uma cesta de seis divisas, subiu 0,09%, alcançando 101,560 pontos. A pressão externa teve impacto direto no câmbio brasileiro, que também foi influenciado por debates sobre a agenda econômica doméstica.
Bolsa perde força
O Ibovespa fechou em baixa de 0,82%, aos 166.191,45 pontos, após iniciar o pregão em alta e se aproximar dos 169 mil pontos. O índice acompanhou o movimento negativo das bolsas norte-americanas, com pressão principalmente sobre empresas de tecnologia, semicondutores e datacenters.
O índice chegou à máxima de 168.994,33 pontos e atingiu a mínima de 166.249,09 pontos durante o pregão. O volume financeiro somou R$ 31,16 bilhões, e investidores também repercutiram resultados corporativos divulgados ao longo do dia e a decisão do Banco Central de manter a taxa Selic.
Wall Street
- Nasdaq (empresas tecnológicas): 24.315,00 pontos (-5,52%)
- S&P 500 (500 maiores empresas): 7.353,73 pontos (-4,36%)
- Dow Jones: 51.523,06 pontos (-3,44%)
As perdas nos índices norte-americanos foram concentradas em empresas de tecnologia e inteligência artificial. O movimento ocorreu após sessão anterior marcada por reações às eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e a avaliação de investimentos no segmento, além de potenciais mudanças regulatórias.
Política econômica e indicadores domésticos
No Brasil, investidores acompanharam a manutenção da Selic em 13,75% ao ano e as discussões sobre a política econômica do governo. Após reunião com o presidente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende aprofundar a análise de medidas econômicas, sem anunciar ações específicas.
A produção industrial brasileira esteve no radar: o setor registrou retração de 0,8% em setembro na comparação com agosto e recuo de 2,5% na comparação anual. Esses números reforçaram a atenção do mercado sobre a atividade econômica e suas possíveis implicações para receitas e investimentos.
A combinação de fatores externos — especialmente a queda acentuada em ações ligadas à inteligência artificial nos Estados Unidos — e os elementos domésticos, como a decisão do Copom de interromper cortes na Selic, explicam o movimento observado no câmbio e na bolsa.
O mercado deverá seguir monitorando desdobramentos internacionais, resultados corporativos e os próximos passos do governo em relação à agenda fiscal, que serão determinantes para a direção dos ativos e para a volatilidade nos próximos pregões.
