Atlanta — O primeiro encontro entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ocorreu no coquetel de recepção da reunião de chanceleres do G20 em Atlanta e resultou no compromisso de uma reunião bilateral antes da cúpula do G20, marcada para os dias 14 e 15 de dezembro em Miami. Para o leitor, o encontro sinaliza a abertura de canal direto entre Brasil e Estados Unidos em um período de tensões diplomáticas relacionadas à saída do senador Flávio Bolsonaro do país.
Os dois chefes das diplomacias se encontraram na noite de sexta-feira (30), durante a recepção de boas-vindas à reunião de ministros de Relações Exteriores do G20, que a Casa Branca realiza em Atlanta entre a sexta-feira (30) e o sábado (31). A conversa foi breve e terminou com o acordo de uma reunião bilateral a ser realizada antes da cúpula ministerial em Miami, nos dias 14 e 15 de dezembro.
O encontro ocorre em um contexto diplomático sensível: o presidente dos EUA evitou reconhecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, apesar de decisões no Brasil que buscavam impedir sua saída.
O encontro no G20
Na sexta-feira (30), Mauro Vieira participou da sessão de abertura do encontro de chanceleres e manteve reuniões bilaterais com outros ministros. Entre os encontros registrados estão:
- Subrahmanyam Jaishankar (Índia) — reunião bilateral com o chanceler indiano.
- Ed Miliband (Reino Unido) — reunião bilateral com o chanceler britânico.
- Radosław Sikorski (Polônia) — reunião bilateral com o chanceler polonês.
Segundo divulgou o Itamaraty em uma rede social, os três chanceleres cumprimentaram Vieira pela conclusão do processo eleitoral no Brasil e pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
“Jaishankar [chanceler indiano] cumprimentou Mauro Vieira pela conclusão do processo eleitoral no Brasil. O indiano pediu transmitir ao Presidente Lula as calorosas congratulações do Primeiro-Ministro Narendra Modi pelo triunfo eleitoral”
A saída de Flávio Bolsonaro e as investigações
Derrotado nas urnas em 25 de outubro, Flávio Bolsonaro deixou o país após a Polícia Federal pedir o confisco do passaporte do parlamentar, por entender que ele poderia fugir diante dos processos que enfrenta na Justiça. O senador evita reconhecer a derrota.
O parlamentar é investigado sobre o pagamento de R$ 60 milhões feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para supostamente financiar o filme Dark Horse, que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em outro processo, a Polícia Federal apura as relações de Flávio com o advogado Willer Tomaz, investigado por lavagem de dinheiro e por envolvimento em fraude no INSS; a Justiça bloqueou mais de R$ 6 bilhões relacionados a Willer.
Parlamentares democratas nos Estados Unidos enviaram carta ao secretário Rubio questionando uma suposta ajuda da Casa Branca à viagem de Flávio para os EUA. Flávio nega irregularidades.
Interessa a cidadãos, autoridades e operadores políticos acompanhar os desdobramentos das conversas bilaterais entre Brasil e EUA durante o G20 e as próximas movimentações judiciais relacionadas às investigações. Não há, no material, indicação de canais de atendimento ou serviços públicos específicos vinculados a este fato.
Próximo passo da história: além da reunião bilateral entre Mauro Vieira e Marco Rubio antes da cúpula de 14 e 15 de dezembro em Miami, seguem em curso as apurações judiciais envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e as questionamentos de parlamentares sobre a assistência à sua viagem aos Estados Unidos. Novas informações e eventuais encontros bilaterais serão acompanhados nas próximas sessões do G20 e em comunicados oficiais.
