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Economia

Copom corta Selic para 13,75%; setor vê alívio insuficiente

Talita Anne
Última atualização: 16/09/2026 21:27
Talita Anne
Publicado em: 16/09/2026
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Copom corta Selic para 13,75%; setor vê alívio insuficiente

Com corte de 0,25 ponto, taxa básica passa de 14% para 13,75% ao ano. Indústria e centrais dizem que medida é tímida e não alivia endividamento de empresas e famílias. Especialistas alertam que juros seguem altos.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, informou o próprio BC nesta quarta-feira (16). Representações da indústria e das centrais de trabalhadores avaliaram a queda de 0,25 ponto percentual como insuficiente, apontando que a medida não alivia a situação financeira de empresas e famílias.

Para o leitor, a mudança significa uma redução moderada no custo básico do crédito, mas especialistas e entidades consultadas dizem que os juros permanecem em níveis que continuam pesando sobre empréstimos, financiamentos e investimentos.

Reações das entidades e dados concretos

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que o Copom adotou excesso de prudência diante da trajetória de queda da inflação corrente nos últimos meses. A nota citou indicador de preços e expectativas de mercado.

“Há trajetória consistente de desaceleração, alcançando 4,22% no acumulado em 12 meses até agosto, e melhora das expectativas de mercado, indicando convergência gradual em direção à meta de 3% ao ano no horizonte relevante para a política monetária”.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, considerou importante a continuidade na redução dos juros e ressaltou que a decisão anunciada nesta quarta-feira representou a quinta redução consecutiva da Selic.

“É essencial que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de redução da Selic. Manter a taxa básica em patamar tão restritivo por período prolongado significa impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade de preços. Há espaço para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a convergência da inflação para a meta”.

A CNI também destacou que, mesmo após o corte, a política monetária segue austera: com a Selic em 13,75% ao ano o juro real estaria em torno de 9%, cerca de quatro pontos percentuais acima da taxa real neutra estimada pelo Banco Central, de 5% ao ano.

Visão das centrais sindicais

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) avaliou que a redução é um passo importante, mas insuficiente diante do nível ainda muito elevado dos juros no país. Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT, destacou o efeito da Selic sobre crédito e financiamentos e defendeu avanços adicionais.

“A Selic influencia diretamente o custo de empréstimos e financiamentos e, mesmo quando a redução chega ao consumidor com defasagem, abre espaço para uma trajetória de crédito mais barato”.

A central Força Sindical classificou o corte de 0,25 ponto percentual como muito tímido e um “balde de água fria” para a economia no quarto trimestre (outubro, novembro e dezembro).

“Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar ainda mais a economia”.

“Essa política de juros altos também diminui a capacidade de consumo das famílias, enfraquece a confiança dos empresários e desestimula os investimentos, comprometendo o crescimento econômico e a distribuição de renda”.

Setor da construção

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) considerou positiva a redução, mas alertou que o movimento precisa continuar para permitir recuperação mais consistente do crédito e dos investimentos. O presidente da CBIC, Eduardo Almeida, afirmou que o atual patamar da Selic é um desafio para empresários do setor, que trabalham com projetos de longo prazo e dependem de crédito.

“Estamos com juros de dois dígitos desde o início de 2022, o que representa um grande desafio para o empresário, especialmente em um setor como a construção, que trabalha com projetos de longo prazo e depende de crédito e previsibilidade. Precisamos avançar na construção de um ambiente macroeconômico estável, que permita a continuidade desse movimento de redução dos juros de forma sustentável e estimule novos investimentos”.

O próximo passo da história será a observação da evolução da inflação e das próximas decisões do Copom, além de avaliações das entidades sobre se cortes adicionais serão suficientes para reduzir os custos financeiros e estimular crédito, investimentos e emprego.

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DeTalita Anne
Jornalista, cantora e professora de japonês. Nascida em São Paulo, viveu anos no Japão. Escreve sobre política, cidades e cultura nos portais do R2 Media Group.
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