O Ministério Público do Rio denunciou 20 pessoas ligadas à milícia de Curicica e ao TCP. Entre os alvos há dois PMs (Méier e Botafogo); a acusação envolve fornecimento de armas, associação e formação de milícia, com prisões solicitadas.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou, nesta quinta-feira (27), 20 pessoas investigadas por integrar núcleos ligados à milícia de Curicica, na zona oeste do Rio de Janeiro, e à facção Terceiro Comando Puro (TCP). Entre os denunciados estão dois policiais militares lotados em bairros da cidade do Rio de Janeiro: um no Méier e outro em Botafogo. A denúncia atribuiu aos investigados crimes ligados ao fornecimento e à intermediação de armas e munições, além de associação criminosa e formação de milícia privada, fatos que motivaram prisões preventivas determinadas pela Justiça.
Detalhes da denúncia
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apresentou a denúncia em 27/08/2026 contra 20 pessoas por atuação em núcleos que atuariam em conluio entre a milícia de Curicica e integrantes do TCP. A acusação descreve uma estrutura hierarquizada da milícia de Curicica, com comando estratégico apontado mesmo com um dos líderes custodiado no sistema penitenciário federal e liderança operacional identificada na rua.
- Quantidade de denunciados: 20 pessoas.
- Policiais militares citados: Jorge Anastácio Rodrigues Simões (lotado no 4º Batalhão da Polícia Militar, Méier) e Leo Carlos Araújo Santos (2º BPM, Botafogo).
- Crimes apontados na denúncia:
- constituição de milícia privada
- associação para o tráfico de drogas com emprego de arma de fogo
- comércio ilegal de armas e munições de uso restrito
- Fontes de financiamento apontadas:
- cobrança de valores extorsivos de moradores e comerciantes
- roubos de veículos e cargas em Jacarepaguá e regiões próximas
A denúncia também aponta a venda clandestina de armamento de alto poder ofensivo, incluindo fuzis, pistolas e munições, e descreve um pacto de não agressão e cooperação operacional entre a milícia de Curicica e integrantes do TCP atuantes nos complexos da Maré e da Pedreira. Emissão de liderança estratégica e operacional foi associada a nomes citados na peça acusatória: André Costa Bastos, conhecido como “Boto” ou “Redbull”, indicado como comandante estratégico ainda que esteja preso no sistema penitenciário federal; e Osmar Silva de Souza, o “Messi” ou “Novinho”, apontado como líder operacional. Yuri Guimarães Soares, o “Lirow”, foi indicado como elo entre a estrutura paramilitar e integrantes da facção.
Medidas judiciais e posicionamento da Polícia Militar
Ao decretar as prisões preventivas, o Juízo da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital destacou fundamentos para a medida.
“a gravidade concreta dos fatos, a estrutura armada da organização, o risco de reiteração criminosa e a necessidade de preservação da ordem pública”
Em nota, a Polícia Militar informou que, na manhã de 27/08/2026, a Corregedoria Geral acompanhou ação do Gaeco voltada ao cumprimento de dois mandados de prisão contra policiais militares. Segundo a corporação, os policiais serão encaminhados à Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, onde permanecerão à disposição da Justiça.
“Os agentes serão submetidos a Procedimentos Administrativos Disciplinares (PADs), que têm como objetivo avaliar a permanência dos acusados nos quadros da corporação”
Para quem interessa e próximos passos
O caso interessa a moradores e comerciantes de Curicica e de áreas afetadas por extorsões e roubos, a órgãos de segurança pública e ao Judiciário. A denúncia deve seguir em tramitação na Justiça especializada em organização criminosa; as prisões preventivas e os Procedimentos Administrativos Disciplinares apontados pela Polícia Militar são passos imediatos já registrados nos autos. O próximo passo formal será a análise da denúncia pela Vara competente e o prosseguimento das investigações para eventual oferecimento de ação penal.
